Fiat Lux, Dilma!

As eleições trouxeram uma vitória, uma derrota, um assunto proibido e um futuro à vista.

            Marx traduziu a História como movida por uma luta de classes entre exploradores e explorados, patrões e assalariados. Outro modo está em a identificar como movida por ondas de luz. A cada época ela promove um novo desfile de modas. Os homens estão sempre querendo revestir suas relações.

Vitória

A História assina a queda dos Muros de Berlim (1989) e o Financeiro (2008) e, prossegue. O seu novo ofício é o de acordar gigantes como China, Índia, Brasil. A História não gosta de gente preguiçosa. Mas, deixa cada um ir se levantando a sua maneira. A China de Mao a erguer um estado-capitalista, a Índia dos Vedas a incentivar mão de obra barata e, o Brasil das ditaduras latino-americanas a bocejar seu processo democrático. Muros caem, gigantes acordam, História segue.

Em 1901, o presidente americano Theodore Roosevelt classificou a América Latina de ‘Bananas Republic’. Estava certo. O seu século 20 foi o do predomínio das ditaduras. No Brasil, tivemos 15 anos do período Vargas e 21 do período militar. Não conseguimos ter povo, apenas elite.

A nossa incapacidade foi a de não conseguir fazer Historia. Tomar um rumo, igualmente como os Estados Unidos o fizeram a partir de sua independência em 1776. Atuamos sempre no varejo, nunca na História. As nossas insurreições sempre foram contra um tal regime capitalista. Não queríamos entender que a civilização sempre foi capitalista desde que trocou o escambo pela moeda. Sem horizonte, ficamos no ‘bananas lemma: Yankees fora!…’

Neste quadro, o Brasil sempre foi chamado de o país do futuro. Um futuro que havia começado lá trás com Tiradentes, mas teve de esperar e esperar, até que no século 20 avistou o tenentismo, a coluna Prestes, a era Vargas. Mas, que também não chegou… Só começou a tomar forma quando em 1954 aconteceu o suicídio de Getúlio Vargas. A partir de então, a História do Brasil moderno ganhava as polarizações de luzes e trevas necessárias para construir seus caminhos. Na própria década de 50, aconteceria a vitória do golpismo de Lacerda (trevas) e o governo de Juscelino (luzes). Havíamos econtrou os nossos pólos para fazer história.

Depois da religião, a política é o setor que mais se energiza com essa dicotomia de luzes e trevas. Deste modo é que acende o seu palco. E assim, o motor da História brasileiro havia encontrado o seu combustível. Em vez de Hamlet e seu drama shakespeareano entre o céu e a terra, o Brasil prefere ser alimentado por luzes e trevas. Contudo, o seu caráter conservador dos anos 50, ainda precisava de ser provido com mais trevas.

O Golpe de 64 nos trouxe o tempo das trevas que precisávamos para nos entender. O período da História para criarmos músculos psicológicos. Não se levanta com futuro apenas com idéias, sem músculos psi elas se divagam em utopias. E assim, vivenciamos a escuridão da falta da liberdade de expressão. Neste terreno das trevas a sociedade brasileira teve de germinar, até encontrar, o seu caminho de fim do túnel. Uma luz que aos poucos ia chegando, era a democracia amanhecendo.

Os países e as pessoas sempre demoram para encontrar o seu caminho. Cada um tem o seu deserto a atravessar. Uns levam 40 anos, outros as perdas de muitas vidas. E assim de Tiradentes a Lamarca, muitos foram os heróis anônimos que tombaram na aspiração de um Brasil Independente. Esse foi o tempo de martirização da América Latina, representando pela figura de Che Guevara (sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida). A América Latina e o Brasil desejavam encontrar seu lugar na História. Serem mais do que um empório a satisfazer elites locais e coloniais.

E assim aconteceu, a duras penas a América Latina e o Brasil conquistaram nos anos 80 a sua primeira onda de luz: a democracia. O Brasil não seria mais aquele país do futuro, mas se tornava uma nação capaz de acender sua luz. A de colocar sua população na História com o direito de cidadania através do voto. Dilma como outros de sua geração viveu esse período. Perdeu, mas fortificou seus músculos psi, para depois, conseguir abrir os caminhos de uma nova época. Engano a analisar como uma invenção de Lula. É alguém de uma geração que participou da construção desse Brasil que chegaria a Democracia. Lutou na resistência ao Golpe de 64, na campanha das Diretas e na Constituição Cidadã de 88.

Desta forma, o Brasil construía o grande campo político da democracia, da liberdade e das causas sociais. Uma nova etapa se abria. Essa força da transformação democrática impulsionaria a uma segunda onda de luz. A de dar ao povo-cidadão o direito de consumir. A luta do direito de expressar passava a de se chegar ao direito de ter bolso. Entrava o período da Economia. A seguir, não faltaram programas de estabilização econômica, dando passos para frente outros para trás, mas sempre em frente. Contudo, a estabilidade econômica iniciada pelo Plano Real em 1994 deve ser vista apenas como um início. A questão estaria em se criar um mercado interno.

Essa segunda onda mostrava que a América Latina não precisava mais de mártires. A temática voltava-se mais ao cuidado com a coisa pública do que incendiar bandeiras contra o capitalismo. A nova ordem estava em promover governos nacionalistas a não mais permitir as privatizações lesa-pátria (o cálculo da perda de patrimônio público no governo de FHC é estimado entre 10 e 17 trilhões de reais). O caminho não estava em privatizar o país, mas o de construir um mercado interno.

Nesta segunda onda de luz é que apareceu o governo Lula em 2003. Lula encarnou a sociedade dos esquecidos e conduziu uma nova classe média. Baseado unicamente na democracia estabeleceu uma vontade política capaz de dobrar o sistema escravocrata que tanto agrada as elites. Não precisou dos moldes da revolução cubana para dar poder aquisitivo a mais de 50 milhões de pessoas. Baseado no diálogo das negociações, conduziu os ‘esquecidos’ para o mercado. Tirou-os da ‘senzala dos assalariados’, aqueles que trabalham mas não conseguem consumir, ter direito a proprieddade.

Sendo ministra da Casa Civil por 5 anos, Dilma participou desse processo. A segunda onda de luz aconteceu. Cerca da metade da população brasileira foi introduzida na classe média. A História avançou no Brasil. O governo Lula conseguiu esse efeito notável que é de tornar o Brasil um mercado consumidor. Bonito por natureza, o país ganhava o novo título de ser um mercado atraente. Portanto, ela não é uma incógnita, um ponto de interrogação, mas alguém que participou diretamente da construção desse Brasil que retira seu trabalhador da senzala e o leva para o mercado.

Os críticos da Dilma não compreendem que ela traz a continuidade de História no Brasil. Foi eleita simplesmente pelo ímpeto consciente e inconsciente de uma geração desejando levar a tocha para a 3ª onda de luz. A oposição quer sempre encontrar justificativa para a derrota. Perdeu porque Dilma estava com a História na mão. Participou diretamente da construção da democracia e da classe média. Foram os dois maiores eventos públicos da Historia do país. Comparáveis ao seu descobrimento e independência.

Destarte, a vitória da Dilma é a vitória da História. Por 500 anos pode-se dizer que nunca o povo brasileiro conseguiu fazer sua História, apenas esteve a serviço da dos outros. Primeiro a dos colonizadores, depois a das elites. Mas, a partir da década de 80 com a instalação da democracia e neste século, com a inserção da classe média, esse povo conquistou a cidadania de votar e consumir. O Brasil não era mais um barco perdido no oceano. Uma História com duas ondas de luz acontecia em seu território.

A principal diferença do Brasil de hoje para o dos anos anteriores a década de 80 é que não somos mais um país ‘anti-establishment’. A nossa iniciação não é mais a de se declarar contra o capitalismo e ir queimar a bandeira americana em praça pública. O noviciado está em irmos fazer História. As duas ondas de luz nos trouxeram a confiança que precisávamos. O momento é o de ir em frente.

Derrota

A democracia conquistada havia trazido à institucionalização da liberdade de expressão. A sua vitória política está no direito de opinar. Dar ao cidadão o direito de ser contra e a favor. Então, as eleições se apresentaram como o ponto alto desta ágora de manifestações. A campanha chegou e expôs a mídia. E ela, se comportou como um partido midiático. Trouxe o subterrâneo político. Mostrou o jornalismo dos interesses.

As quatro grandes mídias do Brasil (Veja, Folha, Estadão, Globo) escolheram o caminho da partidirização. Transformaram suas notícias e colunistas em cabos eleitorais. Numa suposta liberdade de imprensa se tornaram o secretariado do comitê central do partido midiático brasileiro. Algo tão distorcido que levou o deputado Fernando Ferro e o colunista Paulo Henrique Amorim as intitular como o Partido da Imprensa Golpista (PIG).

O objetivo do PIG era o de eleger o candidato José Serra. A estratégia era a de evitar a discussão do programa de projeto político. Havia o temor de comparar FHC com Lula. Por exemplo, num jornalismo sério, Joelmir Beting fez a seguinte comparação: ‘Em 2002, inflação era de 12,5% / 5,1% em 2010, dólar 3,94/ 1,70 em 2010, PIB 2,7%/ crescimento acima de 7% em 2010, desemprego 12,7/ 6,2 milhões em 2010, risco-país 2.400 pontos em 2002/ 170 pontos em 2010. Entretanto, simples comparações como estas, não poderiam vir à tona. Sendo assim, copiando a direita americana, colocou-se a pauta religiosa. Lembrando a marcha de Deus com a Família de 1964, incitou uma mobilização social por valores religiosos e éticos, imprimindo a questão do aborto.

Entretanto, o Mundo mudou com a internet e, a coragem dos blogueiros desmontou todo um sistema de informação. Os chamados ‘blogs sujos’ foram fundamentais para contrapor os danos da mídia. Foram eles que fizeram à verdade ser estabelecida. A trincheira dos blogs venceu. O Brasil ganhava mais uma luta que é a do direito a informação.

A grande mídia sofreu um duro revés. A sua consequência em valores democráticos ainda está para ser entendida. Ao ser perguntado sobre o que era jornalismo, o grande jornalista inglês Rober Fish respondeu: ‘é lutar contra as injustiças e buscar a verdade’. Neste sentido a grande mídia brasileira perdeu a sua vitalidade.

Ao final dos confrontos humanos, quem se manifesta é a História. Assim, tornou-se interessante, observar se os novos caminhos continuarão conduzidos pela informação vinda da grande mídia ou da federação de blogs. Estamos num tempo de mudança de paradigma. Os avanços tecnológicos estão a atomizar a produção de conteúdo. Algo mudou. Definitivamente.

Região Proibida

 

A segunda onda de luz foi a do social. Lula incluiu socialmente uma França no mercado interno. O Brasil conseguiu encontrar seu caminho na História. Entretanto, não consegue entrar numa certa região proibida.

Existe uma região proibida para os corações e mentes brasileiras que é a do território financeiro. É proibido discutir o regime de usura imposto ao nosso país sob o risco de perda da governabilidade. O próprio Lula é chamado de ‘pai dos pobres e mãe dos ricos’ por justamente não se contrapor aos ganhos irreais dos bancos.

O Brasil tem de engolir o sistema financeiro. Nenhum governo teria respaldo no Brasil para numa luta contra o sistema financeiro. Nem do povo muito menos das elites. A nossa cidadania não sustenta este desafio. Então, em prol da governabilidade, devemos deixar esse tema ao lado. Não criticar o sistema financeiro como um sistema opressivo.

A questão não é a de ser contra o regime capitalista. Isto é retórica. A civilização sempre foi capitalista desde que admitiu a troca. A questão é a falta de crítica ao sistema financeiro. Muito antes de se discutir questões de governo, como infra-estrutura e desenvolvimento em saúde e educação, o tema deveria ser o do caminho econômico-financeiro sendo tomado. Entretanto, esse se tornou um assunto envolto de medos e assombrações: inflação, desemprego, desaquecimento econômico. Não faltarão punições para daquele país que se levantar contra essa ordem financeira. Ninguém consegue começar a desconstrução dessa mentira.

O resultado é que hoje em dia se faz uma política sem condenar o sistema financeiro. Não se consegue ir contra. O Brasil não consegue formular um projeto econômico baseado no trabalho e na produção. Está amarrado a manter um projeto macroeconômico ligado ao sistema financeiro. O Estado está sempre a despejar bilhões de reais em juros financeiros. A divida interna do país deve fechar o ano de 2010 em 2,3 trilhões de reais. Ou seja, estaremos assinando um recibo de juros de 240 bilhões de reais por ano.

Independentemente de governo, a economia brasileira tem sido avassalada por esse regime de usura. Por exemplo, o governo Fernando Henrique Cardoso arrecadou cerca de 100 bilhões de dólares com as privatizações, no propósito de diminuir a dívida pública e tirar a nação de uma permanente ‘crise fiscal do Estado’. O resultado foi o oposto, a dívida interna brasileira cresceu bem mais do que o PIB. A dívida passou de R$ 60,7 bilhões ou 28,1% do PIB em 1994 para cerca de 60% do PIB no final de seu governo em 2001. O governo Lula reduziu para 42% do PIB. O governo Dilma pretende chegar a 30%.

O fato é que a nível mundial o sistema financeiro conseguia se impregnar no PIB dos países. Quer dizer, a economia não chega para servir o bem estar de uma nação. O fundamento está em fazer a economia girar para pagar juros.

No sistema capitalista atual se tornou possível se falar sobre erradicar a miséria (o sistema precisa de consumidores), mas é proibido se erradicar os juros. Fale-se de aborto, corrupção, ecologia, bolsa-família, mas não se fale do sistema financeiro. Nele estão os alicerces da democracia, diz o político. Nesta situação, a sociedade se move baseada em enriquecimentos baseados no não-trabalho. Hummmhhh!…

Esse foi o lado proibido da eleição. Nenhum candidato quis tocar no assunto. A não ser Plínio Arruda que por sua idade, deu-se a liberdade de o levantar, de uma forma superficial. Essa é uma questão que profundamente toca a economia mundial. Vide a crise de 2008. Mas nenhum político suscita falar quando a questão se trata dos ganhos dos bancos. A discussão política fica apenas na lojinha de R$ 1,99.

Tempo novo

A democracia foi conquistada pelos brasileiros como um valor fundamental. Trouxe uma nova dimensão substantiva a um país que teve boa parte de sua História mergulhado no autoritarismo. Então, dentro dessa realidade viva e plural, conseguiu na base do diálogo (e não dos rifles) construir uma nação com metade de sua população na classe média. Nestes dois movimentos, o Brasil começou a participar da História. A permitir que sua coletividade caminhe em solo histórico.

Um terceiro desafio aparece. Os homens não se constituem apenas na Natureza. Então, para constituir o atestado de povo, necessitam caminhar na História. Nela é que vemos que tipo de conjunto conseguimos formar. A História, assim como as estações do ano, traz os seus momentos históricos, deixando aos homens a tarefa de que tipo de povo irão montar diante de um novo momento histórico.

O terceiro milênio chegou trazendo a sua Era de Aquarius. O século 21, em sua primeira década, já nos mostra explicitamente a presença da Era do Conhecimento. Uma nova causalidade começa a se impor. Não vivemos mais um mundo somente capitalista, como conhecimentista. Uma nova luz começa a ascender.

Destarte, o Brasil precisa construir o seu discurso de Era do Conhecimento. O novo imaginário coletivo deve ser a entrada do Brasil na Era do Conhecimento. Colocar o conhecimento na pauta. Criar seu caldo de cultura para se projetar neste novo tempo. Trazer a Era de Aquarius para o Brasil.

O Brasil de Dilma entra para o seu terceiro grande projeto de sociedade. Depois, de conquistar o direito de livre expressar através da democracia, de ultrapassar a exclusão e a desigualdade social, agora, chega ao momento maior que é o de fazer o país conquistar sua autonomia e emancipação através de sua capacidade de gerar conhecimento. O eterno gigante adormecido: acordou com a democracia, levantou com a classe média e quer caminhar com o conhecimento.

A História espera do Brasil a criação de um Mundo Novo. Provocar um novo ideal que renove a Humanidade. Estamos num momento angular de nossa História. Não sabemos qual é, mas sabemos que deve ser baseado na magia do conhecimento.

Uma terceira onda desafia o novo governo. Dilma não chega para reacender as lutas trabalhistas de Getúlio Vargas que ainda estão enraizadas no imaginário popular. A História anda. Fomos além da relação capital-trabalho. Hoje precisamos discutir a integração entre conhecimento-capital-trabalho. Essa trialética é que se tornou a formadora de riqueza e emprego.

O povo está farto de factóides e de dólar nas cuecas. Também quer algo mais do que essas propostas simples de ecologia (alheia à tecnologia) e ficha limpa do Congresso. O povo quer um novo tema que o leve a caminhar na História. O gigante adormecido despertou para sua grandeza. Numa Era do Conhecimento ninguém mais quer alienar sua vida do Desconhecido. Desejamos participar dessa conspiração que existe para que cada um abra a sua consciência.

O discurso de projeto de país deve estar profundamente ligado ao momento histórico. Portanto, embora muito se fale sobre o capital e a miséria, o desafio a nação brasileira está em construir sua emancipação através do conhecimento. Ter nele o condutor de suas ações, inclusive para erradicar a miséria e controlar o capital financeiro.

Um novo tempo de abre. Desta vez o povo brasileiro quer subir no bonde da História. Fazer a sua viagem. Para isto, o novo governo vai ter de fazer uma nova política. Construir o campo político do conhecimento. Não se justificar apenas na busca da ascensão do povo pobre à classe média. Assumir a Era de Aquarius. Trazer a emoção do conhecimento: ‘Let the sunshine in’.

Chegar ao Reino da Consciência é a nova utopia brasileira.

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Guerrilha da blogsfera

Numa Era do Conhecimento a informação toma o lugar do armamento. Os caminhos não serão mais decididos por rifles, mas por imaginários. Estamos num tempo em que os homens querem se decidir, fazer suas escolhas, a partir de sua mente.

Deste modo, a democracia e suas eleições se tornaram um campo de batalha das informações. E logo, se vê como a mídia tradicional se torna um partido político. Não  existe neutralidade. Em vez de informar, o jornalismo volta-se a estratégia de formar a opinião pública por manipulando a notícia. Acaba sendo substituído pelo panfleto partidário.

Essa se tornou questão da época. A democracia se estabeleceu e com ela surge a força da mídia. A constatação é que, não existe mídia democrática. O seu objetivo é o de tomar o comando da opinião pública. Como a História é lenta, e a maioria das pessoas não é muito atenta ao tipo de manifestação histórica que sua geração está passando, neste vazio, a mídia toma conta. Postula ela própria ser o caminho da História.

Contudo, o objetivo da mídia é o interesse econômico. A prioridade da mídia não é o projeto de país, mas o dos interesses econômicos. Compreende que os negócios estão no Estado e no Mercado. Neste pêndulo desenvolve sua lógica das oportunidades. O seu conluio é o de dominar os imaginários sob uma falsa pretensão de liberdade de expressão. Para isto, diariamente direciona suas noticias e seus articulistas (pessoas mais preocupadas com sua carreira do que com os rumos da História). Estimula uma perigosa região da virtualidade: o factóide.

Não se propõe a nenhum espírito maior. Sob diferentes circunstâncias, vive apenas para atender o poder. Mas, com um álibi que é o da liberdade de expressão. Por baixo dessa roupa, esconde o lobo, aquele que quer ficar com o controle das coisas. Não assume a direção de seu interesse.

Numa Era do Conhecimento não existem apenas pedras sobre a Natureza, mas também fatos, não existem apenas nuvens sobre nossas cabeças mas também imaginários, não existem somente árvores e rios mas também mídia. E assim caminham os homens: entre pedras e nuvens, fatos e imaginários, florestas e mídias.

As eleições mostraram uma mídia oligopolista.  Os barões midiáticos do Brasil (Veja, Folha, Estadão, Globo) para assumir o controle direto do Estado resolveram apoiar o candidato José Serra. Montaram um comitê central. De um seleto núcleo de famílias sair a diretivas para o resto do país. E foram a campo. Partidarizam suas notícias.

A mídia que já havia atuado a favor do golpe militar de 1964, mais uma vez mostrou que não se interessa pela História. Os processos históricos não são o seu foco. Espera-se do jornalismo a noção de cobertura, de um olhar o mais verdadeiro possível sobre o fato. Mas, assim com a economia financeira cria papeis, a mídia cria factóides. O seu interesse é o de dominar o povo pelo imaginário dos fatos.

Em reação, a guerrilha da blogsfera levantou sua bandeira. A internet empolgou. Sobressaiu-se em relação à cobertura da grande mídia. Num esforço honesto e decente começou a desmascarar os factóides. Blogueiros militantes em favor dos fatos não se curvaram aos vídeos da Globo a respeito de um segundo projétil além da bolinha de papel, questão do aborto etc. A guerrilha da blogsfera trouxe a desmontagem da farsa e da necessidade de uma democratização radical das comunicações. Os blogs renasceram a verdadeira função do jornalismo.

O resultado é que perdeu-se a confiança na grande imprensa. Ficou a impressão de que a dita liberdade de imprensa nada mais é do que aprisionar o povo ao imaginário do poder. Perdeu-se a referência na honestidade desses veículos de comunicação.

A caminhada histórica de uma nação sempre continua. A questão que fica é se a construção do projeto político do Brasil na Era do Conhecimento deverá ser feita através de blogs ou da mídia?

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Xeque-Mate

Dilma precisa no debate da Rede Globo dar um xeque-mate. Após uma campanha movida a obscurantismos, dar uma alegria para seus correligionários. Mostrar que somente a luz que faz Nosferatu desaparecer. Dar ao povo a esperança que merece.

Dirigentes e marqueteiros, atenção que o momento final é de síntese. Mostrar que se encontrou um foco. Algo capaz, de uma vez só, derrubar todo o império das sombras.

Dilma não precisa de bala prata. Possui duas cartas. Quando combinadas, são grandiosas para iluminar o Brasil. Contudo, não são cartas que vieram ao acaso. Existe predestinação: uma vem da História, outra de nossa riqueza natural. Combinadas fazem canastra.

Passemos as cartas a Dilma:

1. História: três ondas de luz têm construído a história recente do país. A primeira nos anos 80 foi a democracia, a segunda no governo Lula a inserção de 50% da população na classe média e a terceira está a porvir que será a entrada do país na Era do Conhecimento.

A luta pela democracia nos anos 60 e 80 construiu o desejo da cidadania. Trouxe o direito da pessoa se expressar. Decidir o poder. A partir de então, a sociedade partiu para a sua segunda etapa, que foi a da ação distributiva. Dos alicerces democráticos, o país criou sua classe média sem necessitar nenhuma revolução sangrenta. Enquanto o exemplo clássico de Cuba promoveu apenas 11 milhões de pessoas, o Brasil de Lula, sem nenhum paredão, colocou 36 milhões de pessoas na classe media e retirou 28 milhões da miséria.

A questão agora é: como conceber a terceira etapa? A época pós-Lula necessitará de um argumento novo. Algo que vá além do direito de votar e consumir. Esse argumento é o do conhecimento. Nele está a nova visão de Mundo.

A primeira carta à Dilma é para colocar o Brasil na Era do Conhecimento.

2. Pré-Sal: a História foi generosa com o país. No momento em que o país define a sua segunda onda de luz, ela lhe entrega um bilhete premiado. A segunda carta de Dilma é a do dinheiro do pré-sal. Precisamos utilizar o recurso do pré-sal para construir um modelo novo. Ir além do marxismo, do neoliberalismo e consolidar no Brasil uma sociedade do conhecimento. O de colocar o Brasileirinho no direito de participar do desconhecido.

Caberá a Dilma colocar essa segunda carta na mesa. Não existe sonho mais sonhado do que de receber um bilhete premiado para colocar o país na Era do Conhecimento.

3. Canastra: ajustar as cartas na mesa

O povo merece essa canastra. Contra o ódio a lucidez, contra a escuridão a luz. O Bras­il precisa de uma proposta de futuro. Bonito por Natureza, será lindo pela plástica do conhecimento.

 

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Três Caminhos de Luz

Três Caminhos de Luz

A sociedade brasileira está diante de uma nova luta. A sua luta não é mais pela direta , pela constituinte, pela revogação dos atos autoritários. Foram-se os tempos da diretas-já. A democracia foi assimilada pela sociedade brasileira.

A democracia fez com que a repressão fosse substituída pelo diálogo. Assim, entramos numa segunda onda de luz: sem revoluções sangrentas, apenas com o diálogo, o governo Lula conseguiu incluir 50% da população brasileira na classe média.

A sociedade brasileira ultrapassou a miséria. O Brasil é um país com mercado interno. O Brasil não é mais aquele eterno país do futuro. As conquistas da democracia e de mercado interno conduzem as suas duas primeiras ondas de luz. O país venceu, se iluminou. Mas, existe uma terceira onda. O novo desafio brasileiro é o de participar da Era do Conhecimento.

Resta aos políticos saírem do obscurantismo reinante e mostrarem argumentos vindos do andar superior da política. Em vez de escuridão mostrar a luz da História. Três luzes ascenderam a História recente do Brasil: democracia, classe média, conhecimento. A terceira onda, agora, será a no próximo governo inserir essa nova classe média no conhecimento.

O momento dos candidatos é o de trazer um elemento de futuro. Os eleitores querem ouvir algo mais. Ver uma direção. Lula deixa à Dilma a missão dessa terceira onda de luz. A de acender um conhecimento para todos. A de fazer com que o país atinja sua autonomia cientifica e tecnológica. Uma luta diversa a da democracia e a da classe média. Um desafio.

Dilma tem de ir para o andar de cima das discussões. Associar seu projeto de nação com a terminologia Caminho de Luz. Compreender que a sociedade brasileira vem galgando por três caminhos de luz: democracia, classe média, e agora, o próximo desafio de seu governo é o do conhecimento. A terceira onda de luz é a de levar o Brasil a Era do Conhecimento.

A História chega a Era do Conhecimento, momento em que a civilização se move através de suas conquistas cientifico – tecnológicas, mas o discurso político brasileiro ainda é de varejo. Propõe temas como alimentação, saúde, habitação, transporte etc como valores absolutos. Não, são relativos: depende do fator capital e do fator conhecimento. Quanto ao primeiro vivemos num mundo capitalista. A facilidade com que os bancos fazem riqueza mostra a sua validade. Quanto a causalidade do segundo fator na construção da riqueza ainda é um assunto novo.

O momento político é o de ressaltar o fundamentalismo do conhecimento. Chegado é o momento de Dilma se declarar em termos do caminho do conhecimento. Apresentar a sua proposta de causa do conhecimento. O seu discurso pode ser feito em termos dos avanços da ciência e tecnologia no Brasil, das escolas técnicas, do Prouni, do PNBL etc. Sair do obscurantismo e do varejo e se colocar diante da História.

FIAT  LUX,  DILMA!

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Motivo da ‘Causa do Conhecimento’ apoiar Dilma

Três ondas de luz estão a retirar o Brasil de sua piada de ser um eterno país do futuro. São as da democracia, classes média e conhecimento. A primeira onda aconteceu nos anos 80 por ocasião da implementação da democracia. A segunda aconteceu ao governo Lula possibilizar que metade da população brasileira participe da classe média. A terceira está ainda por acontecer. É a de fazer o país entrar na Era do Conhecimento.

O Brasil anseia um projeto político que o leve a se inserir na Era do Conhecimento. Falta ao país entrar na primeira divisão da economia mundial. Entretanto, para sair da série B, não basta ter uma classe média forte. Existe um degrau acima que é o de conseguir penetrar na Era do Conhecimento.

O Brasil precisa se tornar uma nação geradora de conhecimento. Sair de seu atual estágio de serviços e revendas e ser um produtor de conhecimento. Isto não é um sonho, é a próxima onda de luz que o país tem de promover. Gerar teorias e produtos e utilizar seu mercado para alavancar seus produtos de conhecimento.

A História convida a todos partidos políticos, mas, como sempre, só aos que a procuram dá o direito de participar de seus novos processos. Estreito é o espaço que ela deixa aqueles que desejam experimentar os caminhos do novo. Tempo para a que se indignam com a injustiça promovida pelo enriquecimento daqueles que já são ricos e poderosos e para os que acreditam nos mistérios da folha de papel em branco.

Estamos formando uma nação brasileira para o novo milênio. Um momento semelhante ao EUA de 1776 e a União Soviética de 1917. A diferença que eles tiveram apoio de ideologias constituídas pela revolução francesa e marxismo. A brasileira só tem o horizonte da Era do Conhecimento. Só o desejo de participar dessa 3ª onda de luz.

Está no ar o desafio de se criar a onda de luz conhecimentista. O momento histórico para a sociedade brasileira enfrentar é o da causa do conhecimento. Nada mais propício do que esse tempo de eleição. Argumentar como retirar o país de seus paus e pedras coloniais.

O microfone foi aberto com as eleições. A surpresa é que os candidatos não conseguem falar sobre a causa do conhecimento. No máximo falam em educação, isto é, aquele nhenhenhéim. Serra a dizer que vai colocar duas professoras em sala de aula (?). A Dilma a tangencia com propostas implícitas (pré-sal). Ninguém (nem seus articulistas, marqueteiros, políticos profissionais) consegue atentar a respeito da chegada da Era do Conhecimento. O conhecimento não lhes é uma causa.

Nenhum partido foi capaz de considerar qual seria o modelo político mais adequado para o conhecimento. Há duas possibilidades: estado-indutor e mercado. É crime lesa pátria deixar a integração educação-ciência-inovação sem a participação do Estado. Essa não é a função do mercado. Igualmente aos quarks (as partículas mais elementares da natureza), a maior parte da infraestrutura de conhecimento tem o seu preço confinado. Pergunte-se: quanto custa a lei de Pitágoras? Resposta: o seu preço de mercado é zero.

Portanto, além dos quarks e das carmelitas, as ‘leis de Pitágoras’ que estabelecem o conhecimento também estão confinadas. Quer dizer: tem valor, mas não tem preço. Sendo assim, o desenvolvimento do conhecimento requer a proteção de uma política governamental. Um dever do discurso político.

Talvez a História tenha reservado ao Brasil o convite para formular a causa do conhecimento. Existe um futuro que aguarda o Brasil. Contudo, a eleição preferiu as moralidades do que as causas. Chamar a atenção da opinião pública sobre a crise moral e ética da sociedade do que seus caminhos adentro da História. Não quis atender o convite outorgado de fazer a luz passar pela escuridão. A eleição optou pelo obscurantismo..

Entretanto, o Brasil se tornou um país de verdade. Um país que avança com luz. Na sua segunda onda, retirou 22 milhões de pessoas da miséria (torcida do Corintians) colocou 31 milhões na classe média (torcida do Flamengo). Num total, em oito anos de governo Lula, conseguiu a notável conquista de introduzir na sociedade civilizada uma população igual a da França.

Destarte, acreditamos que a terceira onda de luz deverá partir da segunda, assim como essa veio da primeira. O governo Lula nos deixa não apenas aos alicerces para um desenvolvimento em educação-ciência-tecnologia, assim como, um sentimento de coletividade. De que existe um Brasil, um povo e não uma classe social, desejando participar da saga do conhecimento.

Ao defender um estado-indutor e gerar uma massa crítica de pessoas na classe média, Lula nos deixa um ponto de partida para a causa do conhecimento. Então, entregamos nossos esforços de causa de conhecimento para que a candidata Dilma conduza o país a sua terceira onda de luz. Construir um projeto de nação conhecimentista.

 

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Dinâmica cultural

Darwin e a América Latina que nos perdoem mas não existe desenvolvimento sem suporte cultural. Darwin mostrou que não estamos separados do mundo natural, que somos relacionados com as outras espécies, mas não disse como a singularidade da espécie humana se manifestou. A América Latina não pode continuar como um continente perdido em commodities, serviços e revendas. Ambos ‘se esqueceram’ do panorama cultural.

O livro da História ficou vazio. Um ciclo se esgotou. O próximo está aberto a nossa escolha. Civilizações terminam mas a dinâmica continua. Desta vez estaremos de frente a programar que caminho cultural desejaremos seguir. Mas antes disto, deveremos explorar o papel da dinâmica cultural. Perceber que o nosso destino não vem mais simplesmente da Natureza mas do espaço psicológico que escolhemos seguir.

O historiador compreende o desafio. Existe uma linha do tempo a ser traçada a partir da geração do conhecimento. Existe uma História a ser feita. Nestes tempos de vazio, de nada adianta ficar falando mal do capitalismo, da injustiça social, da crise financeira se não se oferecer uma dinâmica cultural. De nada adiantam anagramas políticos, a questão é cultural. A noção de cultura ganhou espaço numa Era do Conhecimento. A sua identidade se tornou mais do que visível.

Estamos diante de uma dinâmica cultural. A nossa civilização não mais se movimenta em termos de capital e trabalho. O que provoca o surgimento de novas tecnologias, remédios, entendimentos são os nossos avanços culturais. Contudo, a cultura ainda não consegue provocar discussão política. Preferimos polemizar a respeito das movimentações do capital e do trabalho. Vivemos no século 21, mas com a cabeça no século 19. Falta a nossa época ir desenrolar o sentido do conhecimento.

O historiador percebe que a História é feita através de modelos de Mundo. Em todos os seus momentos ela vem se constituindo através de diversos grupos cada um defendendo esse ou aquele ponto de vista. Só que agora ao lado do capital e trabalho deve-se juntar o conhecimento. Chegamos ao momento em que a cultura deva ser interpretada como um dos elementos fundamentais.

O momento histórico nos leva a ir compreender sobre essa dinâmica cultural. Não apenas no sentido iluminista de desenvolver novas compreensões científicas ou de tecnociência a nos levar a um melhor padrão de vida. O momento do conhecimento é sério demais para ser conduzido apenas através da comunidade científica ou de líderes comerciais. Muito mais do que um descobrimento ou uma mercadoria o conhecimento é um elemento de alma, da psique humana.

A época é propícia a que se procure compreender sobre essa dinâmica cultural. Entender como a cultura antecede ao trabalho e a construção econômica. Precisamos encontrar o valor conhecimento. A busca de um novo capitalismo estará neste fator valor conhecimento. Algo capaz de combinar progresso científico, econômico, social e espiritual.

Estamos na ante-sala desse novo tempo. Ali, há muito, nos esperam Weber e Gramsci. Em seu tempo, não tinham espaço para dizer que inclusão social via conhecimento era um tema tão válido quanto a luta de classes de Marx. Hoje, queremos mais, desejamos encontrar a ubiqüidade do conhecimento. Chegar a entendê-lo como um propulsor do espírito humano.

 

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A presença da Era do Conhecimento

Em construção.

 

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