Economia Verde X Economia do Conhecimento

A vantagem da democracia está em revelar como vai à opinião pública. Assim os 20% de votos obtidos pela candidata Marina Silva estão a mostrar o quanto os corações e mentes brasileiras estão sendo tocados pela causa verde. O capital e o meio ambiente foram os valores a mobilizar a juventude, a classe média, muitos intelectuais. Parece que ninguém conseguiu entender que a civilização entrou na Era do Conhecimento. Trazendo um novo elemento chamado conhecimento.

Marina trouxe a questão de conciliar economia e ecologia. A sedução política pela ecologia conquistou palpites. As eleições mostraram a existência de uma onda verde. Foi decisiva para a existência de segundo turno. Deixando a pergunta: porque ninguém propõe a relação entre economia e conhecimento? Por que o conhecimento não tem capital eleitoral?

A constatação é a de vivemos um período que considera o ambiente mais importante do que o conhecimento. A economia verde se tornou o ‘point’ da classe média. Todos querem ser verdes, desde criancinhas. O fundamental é estar ecologicamente correto. Dar prioridade ao meio ambiente. O que ninguém quis discutir é que a questão ecológica deve ser resolvida pela questão tecnológica. É mais fácil ficar a discutir sobre energia limpa, defesa das espécies, equilíbrio Gaia do planeta do que ir entender que estamos numa civilização superpopulosa a necessitar de um desenvolvimento sustentável baseado no desenvolvimento científico-tecnológico.

O desafio está em fazer o conhecimento se sobrepor ao capital e ao meio ambiente. Quanto ao primeiro, um duro embate se aproxima. Quanto ao segundo, o momento já é o de se observar que a perspectiva ambiental começa a depender da tecnológica. Existe hoje, no mundo inteiro, a preocupação em associar crescimento econômico à proteção do meio-ambiente. A encontrar caminhos tecnológicos a um desenvolvimento sustentável. Vide a chegada próxima do carro elétrico que irá substituir a poluição originada por motores a gasolina. No Brasil, o tema da Semana Nacional de ciência e tecnologia de 2010 será: ‘Ciência para o Desenvolvimento Sustentável’.

A Era do Conhecimento com certeza chegou, mas ainda não encontramos um engajamento com o conhecimento. Embora os carrinhos de compras nas lojas estejam cheios de produtos eletroeletrônicos como TVs, smartphones, laptops, iPads parece que sentimos uma amnésia a respeito de serem produtos do conhecimento.

– Por quê?

A fragilidade cultural e emocional brasileira faz da economia verde um determinante superior à economia do conhecimento simplesmente devido a ser movida por um modelo econômico onde o elemento conhecimento não existe. Somos uma economia movida a commodities e juros. Consumimos tecnologias (e bem) mas não temos nenhuma empresa brasileira na bolsa Nasdaq. A Era do Conhecimento e seus novos materiais só nos interessam no momento de consumo. Aí conta mais a questão do câmbio do que a da pesquisa científica.

– O consumismo toma conta.

O momento de eleições presidenciais é o de posicionamento. Independente da escolha partidária há a priorização de objetivos. Atualmente o capital e a ecologia são os temas predominantes. Falta elevar a face do conhecimento. Estamos entrando num novo ciclo onde o conhecimento é o promotor dos acontecimentos. Momento para uma classe conhecimentista se levantar. Tirar a sociedade do padrão de discussões entre burgueses, operários, ecologistas e trazer a figura do conhecimentista.

O conhecimento tá aí – diz o século 21. Falta dar-lhe a dimensão superior que merece. Igualmente a agenda ecológica sair do nicho e passar a ser uma agenda nacional. É aí que as coisas acontecem. A missão está em ficar a bandeira do conhecimento no projeto de nação brasileira.

Talvez, o resumo da eleição presidencial brasileira seja a ausência de um movimento capaz de colocar a bandeira do conhecimento em solo brasileiro. Os nossos políticos foram incapazes de encontrar a causa do conhecimento.

‘Para ser a primeira civilização ocidental dos trópicos o Brasil terá de desvendar a causa do conhecimento’.

 

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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