Fazer História

Numa vida em que cada um está destinado a sair do Mundo apenas um pouco adiante do outro, desta ilusão, temos de retirar uma verdade. Ninguém sabe por que nasceu, o que está fazendo aqui, o significado de tudo isto. Apenas sabemos que somos passageiros. A única certeza é a de que, como a temos, a vida não projeta solução individual. Ela só consegue existir dentro de uma multidão. Uma multidão que se movimenta no tempo e se chama História.

No rascunho do livro Ideologia Alemã, Marx e Engels escreveram: ‘só existe uma ciência, a da História’. O desafio está em entender como essa ciência se manifesta. Os homens desejam compreender as leis do Universo e da História. Dois grandes mistérios. Contudo, o movimento dos elétrons em torno do átomo tem pouco haver com os desejos que levaram Átila a sair da Ásia Central e invadir Roma. Pode-se dizer que, enquanto um se constituiu pela evolução da energia, o outro veio pela dinâmica dos fatos. Mais velho, o Universo criou bilhões de estrelas; criança, a História mostra que, embora dentre suas dificuldades e confusões, a Humanidade não está bêbada no planeta.

A História nos leva aos vivos, aos mortos e aos que não nasceram. Quando a vemos, tocamos nestes três horizontes. Falamos com aqueles que iluminaram o passado, cantamos aqueles a chegarem ao futuro, levantamos aquilo que o presente exige. Integrados, organizam a construção histórica. Uma linha do tempo em que muitos morreram para haver o Hoje, muitos viverão dependendo do Hoje, fazendo com que exista um Hoje que se denomina momento histórico. Ele é o impulsionador da História de uma época.

A vida é uma incompreensível missão em que cada homem, cada geração, necessita viver o seu Hoje. Enfrentar o desafio da conjuntura de seu tempo e desvendar uma direção. Na diversidade de acontecimentos que constróem o dia-a-dia da sociedade, existe uma tocha da História passando. Alguns a vêem, outros não. Independentemente ela segue. Aos que a tocha clareia, enxergam o momento histórico e fazem as coisas acontecerem.

O Hoje desafia o dia. Queremos saber o momento histórico que se processa. Encontrar sua História. Entretanto seus acontecimentos não parecem estar muito abertos a ser descritos pelo método científico. Nenhum historiador propõe uma equação para a História. A sua emotividade é para ser conduzida através de atores. Roma teve seus plebeus e patrícios; a Idade Média, seus camponeses e nobres; a Revolução Industrial, seus operários e burgueses. Agora, a Época do Conhecimento chega para ser interpretada.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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