Folha de Papel em Branco

A evolução darwiniana nos descreve a extraordinária luta da vida. Não faltaram vulcões, meteoros, mudanças de clima, mas a vida sempre foi em frente. E o impossível aconteceu. Surgia uma espécie na Natureza que saía de seu meio ambiente. Além de árvores e rios a espécie humana iria caminhar por um outro lugar.

Haveria um local que a permitiria se colocar diante do natural. Ultrapassar o conceito darwinista de adaptação e começar a modificar a realidade. Enquanto a luta de vida do jacaré e da tartaruga sempre tem sido a de se adaptar ao meio ambiente a espécie humana entrava dentro do espelho. A sua vida saía do circulo do metabolismo.

O impossível acontecia. Além de oxigênio e proteínas, a vida encontrava um outro elemento: o espaço psi. Ali um outro meio ambiente iria acontecer. Esse seria o seu momento pós-Darwin: os homens estavam saindo do Universo e encontrando o Mundo. Surgia um ambiente virtual e mágicamente iríamos modificar o ambiente natural que circunda as nossas vidas.

Havia chegado o momento em que à evolução das espécies saía das savanas e entrava na folha de papel em branco. Os homens haviam se deparado com um ambiente virtual. Haviam encontrado um novo território. A partir de uma folha de papel em branco iriam propagar seus imaginários e símbolos.

O homem se tornava um construtor de Mundo. Não lhe contava mais apenas o que o seu estômago, braços e pernas diziam. Um outro órgão lhe aparecia para se propagar no Mundo: a mente humana. Um órgão que o impulsionaria a uma outra viagem de vida humana: entre o céu e a terra.

E assim, o homem saía pelo Mundo. A percorrer essa estrada entre o céu e a terra. A folha de papel em branco se tornava o território a ser percorrido. Algo muito estranho havia acontecido, mas sem retorno. O seu destino se tornava o de preencher entre o céu e a terra uma folha de papel em branco. Ali construir sua vida.

A Natureza havia se tornado um cenário. O local da espécie humana seria o Mundo. Das savanas o homem saía para fazer História e, de lá para cá, foram inúmeras as fontes de papel em branco encontradas. Desde gravações em pedras até as modernas telas de computador. Preenchendo seus vazios fomos encontrando as encarnações de nossa alma.

Uma luz se acendia na Natureza, era a da imaginação humana. Somos um bicho a caminhar entre o natural, o virtual e o real. Esse se tornou o nosso propósito. Em vez da convivência com o natural, aceita pelos jacarés e tartarugas, desejamos enfrentar o desconhecido. Absorver o natural a partir de imaginários. No lugar de estrelas e planetas tornar o Universo uma fonte de subjetivação.

Nestes princípios só nos resta enfrentar os caminhos de uma folha de papel em branco. Navegar em seu cosmo e a ir preenchendo com o espaço psicológico que nos é possível. Criando as mais variadas formas de virtualidades e as concretizando com os mais diversos tipos de símbolos.

E assim, das florestas e rios nos deslocamos para uma folha em branco, do Universo para o Mundo. Esse se tornara o nosso novo habitat. Os tabletes modernos bem identificam esse outro local que escolhemos para fazer as nossas vidas. Não existe maior folha a ser preenchida do que a internet.

‘A folha de papel em branco traz a vitória do espírito sobre o natural’.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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