Forças da Economia

A sociedade se move por sua capacidade de produzir capital. A partir de seu valor econômico que as coisas devem acontecer. Neste mundo, vasto mundo, o nosso tempo não é para respirar, é ganhar-pagar, pois além de rimar, o capital é solução. É o ato que deixa as nossas células saudáveis.

Esse é o capital a dizer que nada não pode ser gratuito. Enquanto o Sol não envia nenhuma conta de luz e os rios não cobram a de água, cabe a Economia ir descobrir atividades que sejam capitalistas. Trazer um valor as matérias-primas, aos alimentos etc. Oferecer a troca. Caso contrário, não há trabalho, emprego, bem estar.

Descobrir atividades capitalistas é o desafio. Nelas estarão à causalidade do progresso. Em 1866, um garoto de 15 anos, Erasmus Jacobs, percorria as margens do rio Orange a 478 quilômetros de Johannesburgo em busca de seixos para sua coleção, quando encontrou um bem diferente: uma pedra branca de brilho raro, ofuscante. A descoberta desse mais tarde chamado diamante Eureka deflagrava o início de uma corrida a pedras preciosas na área em que surgiria a maior mina de diamantes do mundo. Da noite para o dia, a África do Sul ganhava uma atividade capitalista. Registros da época, no jornal ‘Diamond News’ – relatam o surgimento de magnatas que ‘chegavam a acender charutos com cédulas de libras esterlinas e propiciar às suas prostitutas banhos de banheira cheios de champanhe’.

Portanto, o advento de um novo momento histórico não é simplesmente dado pela presença de mudança política, mas, principalmente, devido ao surgimento de uma nova capacidade de se gerar negócios. A história da civilização pode ser lida pela história de seus processos econômicos. A sua evolução em formas capitalização das trocas.

Quatro formas de Economia

Numa modernidade onde a Economia se tornou o centro de tudo, a finalidade da sociedade não é dar continuidade a evolução da vida ou de se ajustar aos fenômenos físicos (sustentabilidade). A sua única intenção tornou-se a de circular riqueza. Neste sentido, chegamos a um tempo em que a Economia se manifesta em 4 formas. Assim como a Física descobriu que a Natureza é constituída por 4 forças fundamentais (gravitacional, eletromagnética, forte, fraca), a Economia gera capital através da terra, manufatura, finanças e conhecimento.

A primeira forma de economia a se manifestar é originada da terra. Baseada em produtos naturais é chamada de economia das commodities. O seu objetivo está em explorar a terra em sua agricultura, pecuária, extração de minérios. A sua base de sustentação é a riqueza natural e o trabalho propriamente dito.

O sistema capitalista, de origens remotas junto com a civilização, somente conseguiu se alavancar com o advento da máquina, no século 19, através da Revolução Industrial. Após a civilização ter passado pela Renascença e pelo Iluminismo: o passo seguinte seria o de gerar produtos. A Revolução Industrial representa a primeira vez na história da humanidade em que se começou a sistematizar em série a manufatura de produtos. Ela provocou a vida real da economia.

A seguir, a fusão do capital industrial com o capital bancário gerou o capital financeiro, acelerando brutalmente a concentração de capital. Então, aproveitando dessa não-linearidade do capital a Economia Financeira surge como maneira moderna de se cobrar impostos. Não faltam economistas para agilizar transações econômicas baseadas no não-trabalho. São os Mestres a criar uma natureza sem prótons, apenas dos movimentos lucrativos.

A Economia Financeira resolve se esquecer do lastro em ouro, do papel moeda. Traz a materialização do não-trabalho. Não se interessa por nenhuma das bilhões de estrelas do Universo, apenas na dinâmica de papéis lucrativos. Considera que o capital tem uma vida própria e transforma o dinheiro num reino que se governa por si próprio. Essa não linearidade de dinheiro-gerar-dinheiro traz a magia de se enriquecer sem trabalhar. Ao introduzir o não-trabalho, estabelece ganhos através de juros, moedas-podres etc. Consequentemente, a Economia não é mais um simples sub-capítulo da Matemática e da Estatística, mas principalmente, da Psicologia. Enquanto as formas de economia da terra e da manufatura seguem o dito bíblico de que do suor de teu rosto deve erguer o progresso, a financeira estipula o ganho pela astúcia.

O fato é que a organização orçamentária do dia-a-dia ficou dependente do comportamento financeiro. A economia financeira começou a dominar o estabelcimento do valor. Um estranho valor onde sem nada produzir consegue-se ganhar dinheiro. Esse é o dilema. Uma realidade a qual nenhum historiador consegue escapar. Neste contexto, as pessoas ganham opções de poupança através do mercado financeiro, do mercado das ações. Nos Estados Unidos, 30% da população já usa o mercado de capitais como meio de fazer poupança, investir e aplicar em previdência. No Brasil, o número de investidores em 2010 é cerca de 600 mil (a maior parte na faixa etária entre 26 e 35 anos).

A quarta forma é a Economia do Conhecimento. É quando finalmente consegue se dar valor ao conhecimento. O século 21 chegou caracterizado pela capacidade de fazer ciência aliada à de fazer tecnologia e ambas associadas à de fazer negócios. O Mundo começa a ganhar dinheiro com o conhecimento. Surge um tipo de capital interconectado ao conhecimento, e inversamente, não existe mais produção de conhecimento sem ser esquentada no forno de um investimento.

A nova maneira de o sistema capitalista expandir-se está em acelerar a pesquisa científica e o progresso técnico. No início do século 20, cerca de 90% da força de trabalho estava no campo; no final desse século, apenas 3% da população se dedicava às tarefas agrícolas, mas que, devido aos avanços da tecnologia, foi capaz de suprir as necessidades de alimentação da Humanidade. Segundo Vinod Khosla, o indiano fundador da Sun Microsystens, o século 21 iniciou um novo ciclo que vai terminar com menos de 10% da força de trabalho na indústria e na manufatura; todo o resto será dedicado aos setores de serviço e conhecimento.

Na mesma época da descoberta da Mina de Kimberley na África do Sul, o físico escocês James Clerk Maxwell descobria nos anos de 1860 as leis de eletromagnetismo. Obtinha as quatro equações que guiariam o desenvolvimento dos motores e das telecomunicações do século 20. Contudo, Maxwell não se enriqueceu. O seu bem era puramente cultural. O que sustentou a sua pesquisa foi uma pensão do governo inglês. Cerca de 150 anos depois, o Mundo mudou. Vivemos um cenário de Economia do Conhecimento onde conhecimento gera capital. Antes das pás e picaretas, precisamos nos apoiar numa certa revelação do conhecimento. Essa é a ‘mina a ser encontrada’. Hoje, as equações de Maxwell acabaram se revelando o patrocinador de atividades econômicas muito superiores a de uma mina de diamante. Num Mundo com 6 bilhões de pessoas a estimativa é que 5 bilhões usem celulares ligados pelas ondas eletromagnéticas de Maxwell.

A Economia do Conhecimento é aquela que manifesta diretamente a dinâmica cultural. O seu potencial é imenso. É a substituta da Economia Industrial. Os seus novos elementos de desempenho econômico são informação e conhecimento. A sua base está na tecnologia da informação e comunicação (TIC). A sua palavra-chave é inovação. Um tópico já apontado na decadência de 1940 pelo economista austríaco Joseph Schempter. Identificava na Inovação o principal motor do desenvolvimento da economia. O desafio é, portanto, estimular esse desenvolvimento. Abrangem segmentos de peso como Engenharias, Saúde, Tecnologias da Informação e Cultura.

Definitivamente, não estamos mais na época do ministro de propaganda do III Reich, Joseph Goebbels (1857-1945): ‘Quando ouço falar em cultura sinto vontade de puxar o revolver’.

O historiador percebe essas quatro manifestações da Economia. Cada uma a formatar um tipo de construção da riqueza:

– Qual das quatro formas de Economia prepondera no estabelecimento do valor? – se pergunta.

Compreende que não basta simplesmente se categorizar a Economia em quatro formas. Existe uma conduta econômica que a conduz. Resolve levar adiante a sua investigação. Procurar a natureza do capitalismo.

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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