Subjetivação

Houve um certo dia, uma certa hora em que um novo tipo de evolução aconteceria. A forma de evolução 1.0 acontecida por 3,5 bilhões de anos desde o surgimento da primeira célula cedia para um novo tipo de evolução 2.0. Das pernas e braços o homem se moveria através dos caminhos da mente.

Tudo começou quando dentro das intempéries da Natureza a mente humana conquistou o direito à subjetivação. A exterioridade circundante não mais seria feita apenas de árvores e rios. Haveria um espaço psi para a mente humana defrontar. Um chamamento vindo de dentro para fora. Uma revolução (talvez a maior) acontecia. Além de corpo os homens seriam dotados de consciência.

Charles Darwin nos deixou o legado sobre nossos irmãos macacos. Mas não atravessou a fronteira de um outro ponto da evolução que foi o surgimento da consciência. Chegou um momento em que não estávamos mais diante de um australopiteco querendo aprender a caminhar. As novas forças eram a da subjetivação. A espécie humana começava a pisar num novo solo. Em vez das savanas, era um homem a percorrer uma estranha estrada entre o céu e a terra. As novas forças não se distinguem as florestas e rios, mas ao sonho, a metafísica, a transcendência. Essa era a nova dinâmica primordial.

Além dos quarks e do DNA, o extraordinário é que o Universo permite a subjetivação. Enquanto os primeiros constroem os átomos e as galáxias, o segundo traz a anima. Deixa que sejamos incorporados pelo desejo, pela esperança, pela utopia. A ficar com os olhos cheios de brilho.

O passo extraordinário da evolução 2.0 foi o de nos levar a conhecer o Mundo. O Mundo se tornara a subjetivação do Universo. Enquanto a evolução 1.0 se afirmou através de células, a evolução o faria através de imaginários. O momento em que não mais olhamos as estrelas, mas enxergamos aquilo que nossa mente vê como estrelas. É quando toda a realidade do Universo não é mais para ser olhada e tocada, mas entendida e transformada.

O Universo sempre existiu, o Mundo é que seria obra da evolução 2.0. Conduzir a alquimia da subjetivação diante do espaço e matéria que orbitasse diante do olhar humano. Dar-lhe uma forma concreta, quanto o Universo deu aos sóis e planetas. Não deixar a subjetivação cair na metafísica, mas sair do virtual para transformar o natural.

Na superfície do Mundo começa a História. A sua essência está em conduzir um processo onde a partir e um lado virtual consiga-se transfigurar o natural. Para a História, o natural é apenas um cenário. O teatro histórico está em justamente em trazer representações para esse cenário. Gerar um espaço psi capaz de desenvolver a evolução 2.0.

É aí que começa o processo histórico, não nas formas capitalistas. Muito antes de se discutir a respeito de crescimento econômico, o gênesis das coisas está no florescimento de uma energia de subjetivação capaz de erguer o Mundo. De fazer a História do Mundo.

O historiador sentia-se feliz. Encontrara o seu ponto de partida. A sua palavra-chave não era construir mercado ou distribuição de renda. A sua origem está na construção do Mundo. Dar um sentido ao Verbo. Ajudar a sua missão de ser transitivo entre o desconhecido e a mente humana.

Destarte, após quase 4 bilhões de anos chegara o tempo de uma evolução 2.0. A de transpor o Universo para o Mundo através do Verbo. Um novo espaço de consideração acontecia. O novo território a ser atravessado se tornara o da folha de papel em branco. Ali aconteceria a construção de Mundo num processo de formação de imagens através de símbolos.

‘Muito antes do capital, a História começa por uma folha em branco a ser preenchida’.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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