Era do Conhecimento X Obscurantismo

A história acabou, foi o grito dado por Francis Fukuyama em 1989 a respeito da queda do Muro de Berlim. Não pensava que suas teses também ruíriam quando em 2008 aconteceu o desmoronamento do Muro Financeiro através da concordata do banco americano Lehman Brothers. Um ciclo se concluiu. Momento dos mais propícios para se vislumbrar um novo horizonte para a História da Humanidade.

É quando, chegam às eleições 2010 no Brasil. País emergente, com crescimento econômico de 7,5%, espera-se um dizer além do acontecido com os Muros de Berlim e Financeiro. Surpreendentemente, vemos que a discussão política no país retorna aos tempos de Guerra Fria dos anos 50 e 60.

Um obscurantismo veio à tona. Quando se esperava que o país aproveitasse a oportunidade de se criar uma fala a respeito da Era do Conhecimento, surge uma cruzada contra o aborto. Precipitando a discussão política num grande vazio conceitual que antecede as quedas dos Muros de Berlim e Financeiro. Voltamos à Idade Média.

A supremacia do obscurantismo sobre a luz nas eleições 2010 mostram partidos e um povo despreparado. Milagres e consumo é o que atrai a opinião pública brasileira. Um grande desafio para a Revolução do Conhecimento enfrentar. Antigamente a religião era dita como o ópio do povo, hoje seria o consumo.

A História não acabou, nem se repete. Ela está sempre a caminhar. Para a História, o tempo aparece como invenção. Coloca uma Linha do Tempo para os átomos, as estrelas, as galáxias. A partir de uma folha de papel em branco impulsiona o ser humano pelas diferentes regiões do espaço psi que sua mente é capaz de vislumbrar. Dar a tudo uma interpretação para a sua Linha do Tempo abrir.

A História não nos deixa sermos indiferentes a essa travessia no tempo. Somos o nosso passado, como a travessia de César no Rubicão e a chegada de Cabral no Brasil, seremos o futuro, dependendo daquilo que aspiremos. Uma dinâmica em que a esperança tem de vencer o presente.

O Brasil tem de encontrar sua esperança. Em eleições anteriores, uns se classificavam como marxistas outros como liberais, mas agora, caímos num obscurantismo religioso mais próprio do maniqueísmo humano do que da esperança vinda dos Livros Sagrados.

As eleições 2010 estão nos levando a puxar o banquinho da história e refletir. Compreender um pouco mais sobre o momento histórico que vivemos. Aconteceram as quedas dos muros de Berlim e financeiro: devemos aceitar. Surgiu uma Era do Conhecimento: devemos construir.

O Brasil não pode ficar a se enrolar no obscurantismo ou se perder no varejo. Precisa apontar a algo superior. Talvez a principal questão que se levanta nesta consulta à opinião pública através das eleições é como o Brasil irá transitar do obscurantismo à luz do conhecimento. Discutir a dívida e a Era do Conhecimento são dois temas para o país encontrar sua História.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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