Os candidatos e a causa do conhecimento

Estamos num momento histórico em que o Brasil tem de se posicionar politicamente diante da causalidade do conhecimento. O viés religioso (aborto) da campanha obscurece o Caminho de Luz que a sociedade brasileira tomou nas ultimas décadas. O brasileiro tem de sentir orgulho de: nos anos 80 implementar a democracia, nesta década inserir a metade da população na classe média, e agora, ir enfrentar o desafio de uma Revolução do Conhecimento.

O atual desafio brasileiro é o de se colocar diante da Era do Conhecimento. As eleições existem para os partidos colocarem seus projetos diante da opinião pública. Neste sentido, o nosso termômetro é o quanto os candidatos 2010 foram capazes de discorrer a respeito da causa política do conhecimento.

Façamos nossas observações:

 

1. Plínio Arruda

Priorizou a questão da dívida. Verdadeiramente um ponto fundamental, mas de cirugia difícil. Em 2010, a Dívida Pública Interna chega a cerca de 2,5 trilhões de reais trazendo um gasto em juros e serviços da dívida o equivalente a 375 bilhões de reais. O suficiente para cobrir os gastos de 50 bi em saúde, 1,3 bi na bolsa-família etc. Na ponta do lápis, chega-se a simples conclusão que o país gasta mais nos juros da dívida do que nas suas despesas básicas (saúde, educação, ciência e tecnologia, habitação, saneamento).

– Que país é esse? – se exclama.

A questão é que a política, assim como a vida, não é feita na ponta do lápis. Envolvem emoções profundas. No caso da política, a época nos condiciona a um modelo econômico financeiro. Uma concepção onde o que importa é o valor do capital. No passado, a relevância esteve no modelo economia da matéria-prima, assim como hoje somos explorados pelos juros do capital, anteriormente era com o pau-brasil, açúcar, ouro, café, borracha.

Plínio fez sua consideração, mas não apontou caminho. Ficou na retórica de criticar a divida, pedir auditoria, mas sem levantar um argumento superior. O desafio está em modificar o cenário econômico: retirar o país do modo econômico financeiro e introduzir o modo econômico conhecimentista. Somente diante de uma nova causa é que se consegue redimensionar a antiga.

Até o momento que uma nova emoção ganhe contexto no cenário do país seremos sempre subjugados por uma dívida, paga inúmeras vezes

 

2. Marina Silva

Marina se colocou como o novo. A terceira via por uma postura política. Todos sabemos que a civilização necessita de desenvolvimento sustentável. Entretanto para se enfrentar essa questão devemos primeiramente se definir em relação ao capitalismo e ao conhecimentismo.

Sem recursos críticos, num discurso verde isolado, Marina não quis compreender sobre o capital e o conhecimento antecederem a ecologia. Entretanto, apoiada pela mídia, o seu discurso messiânico foi capaz de conseguir 20% dos votos. Parecendo que, muito mais do que por um discurso verde, essa aglutinação de pessoas aconteceu devido a sua alienação. Pessoas indiferentes a respeito do capital e conhecimento.

Numa Era do Conhecimento nem o socialismo será alcançado por revolução armada nem o capitalismo sobreviverá pelo modo financeiro: nem a ecologia por um purismo verde.

 

3. José Serra

O programa político do Serra, não mostrou um projeto de nação, se apresentou fragmentado. Caracterizou pronunciamentos de ocasião. Optou por levar a população promessas do tipo salário mínimo a 600 reais, 10% aos aposentados, 13º a Bolsa Família. Não convenceu como um discurso político trazendo a originalidade de quem se propõe a ser oposição.

Devido a sua biografia esperava-se um Serra incisivo a respeito de uma política do conhecimento no Brasil. Não o foi. Preferiu invocar questões antigas do que promover uma política voltada aos anseios de futuro da população.

 

4. Dilma Roussef

Dilma levou a vantagem de estar associada a 2ª onda de luz promovida pelo governo Lula (inclusão da entrada da população brasileira na classe média). Contudo, não se posicionou diante da causa do conhecimento. Ficou no varejo, prometendo mais escolas técnicas, bolsas ProUni etc.

Semelhante a Serra, esperava-se uma voz de Dilma a respeito da causa do conhecimento. Ela se revelou mais um Geisel de saia. Uma pessoa mais voltada à gestão, do que as causas. Ficou devendo a respeito da inclusão do país na Era do Conhecimento.

 

5. Conclusão

A conclusão é que as eleições 2010 não pautaram a Era do Conhecimento. Os candidatos mostraram não estar aliados ao atraso, mas imerso no atraso. Se preocupam apenas em satisfazer as necessidades de um país de serviços e revendas. Não apresentaram nenhum projeto político baseado no conhecimento. Deixaram um vazio.

O resultado da eleição 2010 é que a população brasileira ficou sem nenhum discurso sobre a Era do Conhecimento. Como diria Camões: ‘o rei fraco faz fraco a forte gente’.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
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