Faltam causas políticas

A eleição está a mostrar uma política sem andar de cima. Não conseguimos discutir causas políticas. Existem dois temas cruciais ao desenvolvimento de uma sociedade que foram dominados pelas gritarias do andar de baixo. Ficou faltando revelar a presença do conhecimento e do capital.

Não faltam argumentos para se discutir esses dois temas do andar de cima, mas caímos e com muita facilidade, nas questões do andar de baixo. A primeira é a do moralismo ético. Para manifestá-lo usa-se as religiões e algum tema purista. Sendo assim, das religiões trouxeram a questão do aborto e o tema purista escolhido foi a ecologia. Assim, foram levantadas duas questões profundas e importantes a serem tratadas sob a égide da moralidade. Entretanto, dentro de um sistema capitalista de natureza aética. É possível? Tem solução?

O problema de ir resolver as coisas somente no andar de baixo é o de estar sempre a confundir o céu com a terra, ou melhor, de que se pode tratar as coisas de baixo sem as coisas de cima. De não querer entender que: enquanto o sistema capitalista é amoral, as religiões e os ideais se constroem sob a ética.

Outro tema de fazer política sem ir as causas é a do varejo político. Evidentemente que a ação política deve ser para resolver situações. Resolver a saúde, o saneamento, o transporte etc. Entretanto, a consideração está em que, sua ação de varejo depende de como lidar com o andar de cima (conhecimento e capital).

O fato é que as eleições e a opinião pública brasileira se negaram a discutir sobre os caminhos que o capital e o conhecimento tomam em sua sociedade. Preferiram o obscurantismo político (aborto e ecologia) e a política do varejo. O domínio do capital financeiro e o despropósito de uma independência científico-tencológica não lhe parecerem importantes. Venceu o andar de baixo.

A causa de baixo venceu: ninguém fala sobre o modelo econômico financeiro que regula o país. Não se discute a supremacia do valor do capital sobre o trabalho e do conhecimento. Política de varejo é mais importante do que a financeira? Então, observe que o governo Lula pagou em sete anos de governo mais de R$ 1 trilhão em juros (um valor superior a divida interna deixa por FHC). Esse ano de 2010, 35% do orçamento da União já está destinado ao pagamento de juros. É o país do burro encilhado. Nunca perguntamos se parte desse dinheiro não deveria ser revertido em saúde? Ou, até quando iremos pagando?

O Brasil não pode ser o país do burro encilhado. A sua grandeza não é para seguir indefinidamente levando uma carga de juros e uma orelheira de serviços e revendas. Precisamos nos libertar desses 500 anos de submissão.

A democracia não deve ser feita para as vozes do andar de cima se calarem. Ingenuidade eleitoreira está em acreditar que a maioria alienada dita os rumos da sociedade. O crescimento de uma nação requer trabalho, conhecimento e investimento produtivo. Essas devem ser suas causas políticas. Não podemos aceitar o seu aborto.

Esperamos que Dilma não vença com a cabeça no andar de baixo.

 

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
Esse post foi publicado em 1 - Eleições 2010. Bookmark o link permanente.

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