Guerrilha da blogsfera

Numa Era do Conhecimento a informação toma o lugar do armamento. Os caminhos não serão mais decididos por rifles, mas por imaginários. Estamos num tempo em que os homens querem se decidir, fazer suas escolhas, a partir de sua mente.

Deste modo, a democracia e suas eleições se tornaram um campo de batalha das informações. E logo, se vê como a mídia tradicional se torna um partido político. Não  existe neutralidade. Em vez de informar, o jornalismo volta-se a estratégia de formar a opinião pública por manipulando a notícia. Acaba sendo substituído pelo panfleto partidário.

Essa se tornou questão da época. A democracia se estabeleceu e com ela surge a força da mídia. A constatação é que, não existe mídia democrática. O seu objetivo é o de tomar o comando da opinião pública. Como a História é lenta, e a maioria das pessoas não é muito atenta ao tipo de manifestação histórica que sua geração está passando, neste vazio, a mídia toma conta. Postula ela própria ser o caminho da História.

Contudo, o objetivo da mídia é o interesse econômico. A prioridade da mídia não é o projeto de país, mas o dos interesses econômicos. Compreende que os negócios estão no Estado e no Mercado. Neste pêndulo desenvolve sua lógica das oportunidades. O seu conluio é o de dominar os imaginários sob uma falsa pretensão de liberdade de expressão. Para isto, diariamente direciona suas noticias e seus articulistas (pessoas mais preocupadas com sua carreira do que com os rumos da História). Estimula uma perigosa região da virtualidade: o factóide.

Não se propõe a nenhum espírito maior. Sob diferentes circunstâncias, vive apenas para atender o poder. Mas, com um álibi que é o da liberdade de expressão. Por baixo dessa roupa, esconde o lobo, aquele que quer ficar com o controle das coisas. Não assume a direção de seu interesse.

Numa Era do Conhecimento não existem apenas pedras sobre a Natureza, mas também fatos, não existem apenas nuvens sobre nossas cabeças mas também imaginários, não existem somente árvores e rios mas também mídia. E assim caminham os homens: entre pedras e nuvens, fatos e imaginários, florestas e mídias.

As eleições mostraram uma mídia oligopolista.  Os barões midiáticos do Brasil (Veja, Folha, Estadão, Globo) para assumir o controle direto do Estado resolveram apoiar o candidato José Serra. Montaram um comitê central. De um seleto núcleo de famílias sair a diretivas para o resto do país. E foram a campo. Partidarizam suas notícias.

A mídia que já havia atuado a favor do golpe militar de 1964, mais uma vez mostrou que não se interessa pela História. Os processos históricos não são o seu foco. Espera-se do jornalismo a noção de cobertura, de um olhar o mais verdadeiro possível sobre o fato. Mas, assim com a economia financeira cria papeis, a mídia cria factóides. O seu interesse é o de dominar o povo pelo imaginário dos fatos.

Em reação, a guerrilha da blogsfera levantou sua bandeira. A internet empolgou. Sobressaiu-se em relação à cobertura da grande mídia. Num esforço honesto e decente começou a desmascarar os factóides. Blogueiros militantes em favor dos fatos não se curvaram aos vídeos da Globo a respeito de um segundo projétil além da bolinha de papel, questão do aborto etc. A guerrilha da blogsfera trouxe a desmontagem da farsa e da necessidade de uma democratização radical das comunicações. Os blogs renasceram a verdadeira função do jornalismo.

O resultado é que perdeu-se a confiança na grande imprensa. Ficou a impressão de que a dita liberdade de imprensa nada mais é do que aprisionar o povo ao imaginário do poder. Perdeu-se a referência na honestidade desses veículos de comunicação.

A caminhada histórica de uma nação sempre continua. A questão que fica é se a construção do projeto político do Brasil na Era do Conhecimento deverá ser feita através de blogs ou da mídia?

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Sobre Melk

O autor é doutor em física pela Universidade de Oxford e empresário do conhecimento (www.aprendanet.com.br). Como físico, ao estudar que os fundamentos do universo, os quarks, se apresentam em três cores: se converte num fanático torcedor tricolor.
Esse post foi publicado em 1 - Eleições 2010. Bookmark o link permanente.

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