Revolução do conhecimento

Se fazer revolução é colocar o Mundo de cabeça para baixo, a bandeira mais revolucionária é a do conhecimento. Entretanto, até hoje, não se conseguiu levantar essa bandeira. Por quê? A sua diferença para o carnaval é que não consegue colocar a alegria nas ruas. O conhecimento é ainda considerado algo distante de um ato popular. A sua forma escolástica o retira do gosto comum. Assim como a respiração, só sabemos quando falta.

O desafio para uma revolução do conhecimento está em encontrar o elo entre a cultura e o povo. Contudo, revolução não se inventa, igualmente aos vulcões são produtos de um processo histórico, que de repente se irrompe. Cabe-nos apenas acompanhar esse processo, e assim, observar como o sismógrafo da época está a apontar a preponderante importância do conhecimento nas atividades humanas. Tornou-se o magma a aquecer a sociedade. Contudo, embora saibamos de sua existência, mas ainda não explodiu na superfície social.

A causa do conhecimento tem que chegar às ruas. Esse é o desafio da época. Trazer a sua magia para a avenida. Sair da escolástica dos colégios e entrar no desconhecido das coisas. O homem foi agraciado a fazer essa passagem entre o natural e o real através do conhecimento e esse século 21 é quando essa Época do Conhecimento se afluência. É tempo de despertar o grito do conhecimento. Fazê-lo ir além das torres de marfim iluministas.

Cada vez mais o desempenho das sociedades depende do fator conhecimento. Os tempos puramente iluministas ficaram para trás. Hoje, o conhecimento inventa o Mundo. Gera ciência, mercado, dinheiro, padrão da vida, justiça social, consciência. Sem geração de conhecimento, voltamos aos paus e pedras da relação capital e trabalho. Uma revolução normalmente estoura quando o predomínio de uma concepção torna-se insustentável. Neste caso não é mais possível tratar, neste século 21, os acontecimentos através da relação capital e trabalho. É hora de colocar essa relação de cabeça para baixo, sair do estigma de que a produção da riqueza vem do capital e trabalho. Necessitamos nos aprofundar sobre o entendimento do significado do conhecimento no fluxo da economia.

A época do conhecimento traz um show de luz e criatividade. Não vivemos mais nas cavernas, mas numa Natureza modificada. Contudo, ainda não conseguimos nos identificar com o conhecimento. Deixamos que outras forças predominem, como a da relação capital e trabalho. Embora atualmente a equação de lucros e salários já seja escrita pela relação capital e conhecimento, tal formulação ainda não tomou forma do campo político.

Destarte, não vivemos uma época que se insurge contra o absolutismo monárquico ou contra a mais-valia burguesa. O seu momento é o de diferenciar a dialética capital-conhecimento. Essa deve ser a nova motivação da História. Não basta vivermos num capitalismo puro ou numa cultura isolada. Necessitamos introduzir a cultura no sistema de trocas capitalista. Ir além de sua arte e ciência e torná-la um móvel da economia.

Cada geração está dentro da História. Não nasce para observá-la, para fazê-la. E assim cada uma segue o seu tempo, o seu Hoje. Novembro 1917 representou um momento. Na época, achavam que mudariam o Mundo. Mudaram, mas depois o Mundo mudou mais ainda. Agora, chega a geração que irá construir os primeiros 25 anos deste século. O seu desafio está em sair do jargão capitalista e compreender o significado do conhecimento. É uma geração cujo destino está em escrever sobre uma ideologia do conhecimento. Compreender sua natureza.

Ninguém vive seu dia a dia sem olhar para o futuro. Todo homem busca uma razão de ser para sua existência, um ideal. Talvez esteja aí a origem das revoluções. Trazem maneiras de a Humanidade marcar sua vocação nesta caminhada de construir o futuro. Ir além de uma história do trabalhismo e do capitalismo. Encontrar um novo comprometimento. Neste compromisso é que o século 21 deverá encontrar sua revolução do conhecimento.

A História está a espera dessa elite intelectual predestinada por Toynbee. Estamos no exato momento para a formação de uma elite do deserto. Pessoas capazes de atravessar as hierarquias sociais e trazer uma palavra de destino. Sabem que uma História passou e que outra está chegando, mas devem se isolar, se submeter ao deserto, se distanciar do poder para encontrar sua estrela de destino. Não apenas para melhor desenvolver as idéias, como, fortalecer músculos psicológicos capazes de erguer um destino.

O historiador está sempre à luta pelo despertar de uma nova era para a Humanidade. Dar continuidade a esse processo histórico oriundo do trabalhismo e do capitalismo. Agora, sua aposta está na mente humana. Acredita que estamos entrando no momento em que o curso das coisas estará sendo definido pela mente. Ela ganhou o potencial para atuar no curso da História. Acredita que tornou-se plausível propor à opinião pública a instalação da roda do conhecimento. O desafio está em se construir uma opinião pública a respeito dessa Era do Conhecimento.

O futuro de um país depende da educação de seu povo, de sua capacidade de inovar e manter-se competitivo. Contudo, a História é lenta a respeito de suas novas direções, porque ela se faz devagar em seus caminhos devido a toda uma complexidade que a envolve. Fazer-se conduzir pelo conhecimento não é ato natural igual à queda de uma pedra. Necessitará de uma oficina política, i.e., a instalação da roda do conhecimento não virá naturalmente igual ao nascimento de um bebê; necessitará de uma arquitetura. Sem a geração de uma ideologia a História não se transformará sozinha. Precisamos encontrar um novo eixo ideológico para fazer os seus acontecimentos rodarem.

Estamos à espera que da oficina de algum historiador saia alguma bandeira. Encontre um modo de alma capaz de chamar corações e mentes a causa do conhecimento. A sua roda precisa girar.

 

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Ideologia do conhecimento

Estamos em tempo de reflexão. Vivemos no Mundo, mas não basta remar, precisamos seguir uma orientação. A época é de vazio, trazendo o momento para se encontrar uma nova leitura da História. Não deixar que ela se escoe para o nada. Como disse Eurípides há muito tempo: ‘O esperado não se cumpre e ao inesperado em deus abre o caminho’.

Contudo, enquanto esse deus não aparece, precisamos encontrar um fato novo. Os homens estão sempre à procura de algo; não aceitam a falta de continuidade que o Mundo lhes dá e se agarram ao primeiro tronco a passar pelo rio da vida. Só que agora, neste século 21, a História é uma ciência a ser pensada. Precisamos nos agarrar em algo que nos leve a algum lugar. Chega de ilusão.

A História não é para ser vivida como os dias da Natureza: é para ser antecipada. A palavra considerada mais bonita entre os ingleses é ‘serendipity’. Significa a sensação de descobrir algo desejável acidentalmente. Esse é o temor do historiador: chegar a 2050 acidentalmente. A História precisa ser tratada como ciência, mesmo que não consiga.

É hora de reinventar o Mundo se quisermos chegar a 2050. Um Mundo velho padece. Estaremos numa marcha de insensatez a não entender a oportunidade histórica que o conhecimento está oferecendo como agente organizador da História. A nossa mídia se focaliza mais em questões como terrorismo, economia financeira, desigualdades sociais do que na percepção do conhecimento. O paradoxo é que, em plena Era do Conhecimento as suas narrações não se utilizam da palavra conhecimento.

Escrever a História é o papel que cabe ao historiador. Não é mais estranho fazer a projeção conhecimentista. O capital e o trabalho não mais são aqueles argumentos incisivos que levantaram as multidões dos séculos 19 e 20. O rio de Heráclito seguiu. E, embora os Fóruns Globais e o Vaticano tenham passado ao largo, o novo argumento é o conhecimento. De sua magia é que resultará as condições de vida daqueles que habitarão o século 21. Sendo assim, o momento nos leva a que a História deva ser uma ciência a ser pensada em termos da variável ‘conhecimento’.

As religiões e o cinema não se cansaram de falar da variável ‘amor’. Colocaram a estrada humana na busca do sonho do amor. Na esperança de que no final dessa estrada exista o encontro de uma suprema felicidade. Essa crença tem sustentado os Livros Sagrados e Hollywood. A questão é se encontraremos uma interpretação para o sentido de conhecimento capaz de provocar a mesma plenitude de alma do amor.

Assim como amor, o conhecimento surge como uma pulsão inevitável. Contudo, diferentemente do amor que já nasce pronto (e depois destruímos), o conhecimento necessita ser construído. Ele nasce para se chegar a algum lugar. E, semelhante ao do amor que quase sempre nos deixa na chuva, o conhecimento nos ilude que saímos da escuridão. Contudo, ambos dividem um mesmo desejo: o da paixão impossível. No caso do conhecimento a de que um dia irá entender o funcionamento do Universo.

A novidade numa Era do Conhecimento é a de que nos deparamos com o fato de o conhecimento ter-se de conhecer. Compreender as suas entranhas. A isto, entendemos como ir identificar a existência de uma ideologia do conhecimento. Dar uma vida a si próprio. Entender que o conhecimento tem razões que a razão desconhece.

Desta maneira, após inúmeras considerações a respeito do capitalismo, a História necessita de se expressar em relação a um novo tema, que é o conhecimento. Nos anos de 1920, o ativista marxista Antonio Gramsci ( ) já havia tecido sobre a importância do conhecimento. Contudo, a sua época ainda privilegiava o contexto capital e trabalho. Diferentemente do contexto atual, quando a tecnologia prevalece em relação ao trabalho.

O conhecimento precisa sobrepor-se ao sistema atual do Mundo. Para tal, necessita-se criar uma ideologia do conhecimento. Desenvolver uma estrutura de pensamento capaz de posicionar o conhecimento diante do capital, do trabalho, da política, da religião. Certamente uma árdua tarefa, mas necessária. Para haver futuro necessita-se sempre de uma revolução; caso contrário, ficaremos sempre nos valores presentes.

A questão estará em como fazer com que a matéria prima conhecimento refine-se para tornar-se uma ideologia. A proposta não está mais em reorganizar as relações entre capital e trabalho. A prioridade é a de conceituar o conhecimento. entender que a partir de suas oportunidades culturais que uma época se desenvolve. Elas antecedem a existência de um fluxo de caixa a viabilizar o investimento capitalista.

Um outro mundo é possível, mas falta à caminhada levantar uma percepção. Sem uma formulação conceitual não chegaremos a nada. O momento é o de uma ideologia do conhecimento. Ela nos desafia. Não sabemos quanto tempo levará para chegarmos a ela; todavia, sua busca não é mais para ser postergada. Ela começa Hoje.

Na área das exatas, a expressão científica é dada pelo equacionamento de um determinado fenômeno; a História não pode se dar a este mister, o seu caminho não é o das equações. Entretanto, o historiador observa que há algo em comum: enquanto as equações apresentam-se através de variáveis, a História o faz através de argumentos. Isto o leva a questionar: qual o argumento que nos levará a 2050?

Sobra ao historiador ir buscar a palavra conhecimento. Após tantas ditaduras, vê-se que o pior do que a falta de liberdade é deixar uma palavra em silêncio. Não acordá-la. Talvez seja isto o que a época atual esteja fazendo com o conhecimento. Em vez de despertá-lo, deixa que outras coisas falem na sua frente de tal modo que, quando chega sua vez de pegar o microfone, o programa já terminou.

A época necessita de uma revolução do conhecimento. Dar-lhe o direito de pegar o microfone e falar suas pretensões. Sobrepor-se as questões econômicas, sociais, políticas que permeiam os noticiários. Por exemplo, dizer que produzir chips é uma bandeira da independência nacional. Um governo necessita produzir microcomputadores, pois eles estão em toda parte, para a identificação de veículos e bagagens, para os computadores e celulares e até nos brincos de rastreamento do gado bovino. Contudo, o que se vê são os governos demasiadamente preocupados com a moeda. Isto faz com que os lucros bancários sejam visivelmente superiores ao da indústria.

Os lucros recordes dos bancos mostram a nível mundial como o neoliberalismo conduziu uma macroeconomia onde o rentismo financeiro prevalece sobre o setor produtivo. No lugar dos bancos exercerem sua atividade de intermealição na economia a época lhes permite de se servirem da economia. A ideologia neoliberal da época chancela essa cumplicidade. Entra e sai governo e a festa continua. Não foi a História que acabou, mas o mundo financeiro que predominou. Está tudo dominado.

No Brasil, o lucro dos bancos em 2009 foi 24,1% acima em relação a 2008; o banco do Brasil, o Itaú Unibanco acusaram um lucro de R$ 10 bi cada, o Bradesco R$ 8,6 bi e o BNDES R$ 6,7 bi. Enquanto isso, a indústria ficou com seus indicadores negativos, recuando 3,1% em 2009 em relação a 2008. Ao mesmo tempo uma companhia baseada em commodities como a Vale acumulou um lucro de R$ 10 bi. Esses dados estão a mostrar a face do Brasil. Um país cuja economia está voltada a commodities e a finanças.

– Como fazer uma revolução do conhecimento no Brasil?

A realidade brasileira não é mais feita apenas de operários, burgueses, camponeses, latifundiários mas também acontece uma classe conhecimentista. Uma classe voltada a educação, a pesquisa científica, a inovação tecnológica, a sofisticação do parque industrial. Entretanto o Brasil ainda precisa encontrar o seu caminho de desenvolvimento através do conhecimento. As expectativas são que em 2050 o Brasil passe à quinta maior economia mundial, ficando atrás da China, EUA, Índia e do EU-5 (os 5 maiores países europeus somados). Contudo, para isto se tornar possível, ainda nos falta sermos capazes de produzir uma revolução do conhecimento.

As ditaduras se foram, mas o pior é que levaram os ideais. Ficamos sem céu, num pragmatismo desenvolvimentista. Acabaram a luta por idéias. Incrivelmente nosso olhares voltaram-se para baixo. A dimensão capitalista é a única que funciona. Darwin nos classificaria de animais capitalistas rastejantes.

Precisamos pensar o futuro. A antípoda ao vazio da época está em se encontrar uma visão de futuro. Descortinar um argumento incisivo que nos encoraje a uma caminhada além de objetivar o lado econômico. O historiador encontra no conhecimento seu papel principal. Observa que através dele é que iremos antecipar os desafios do futuro. Então, sua proposta se volta à construção de uma ideologia do conhecimento. Algo capaz de construir a profundidade e transversalidade do conhecimento.

Necessitamos encontrar uma ideologia que justifique o século. Uma ideologia capaz de se tornar o tema centrar das discussões políticas. Entretanto, não será simples chegar às origens da palavra do conhecimento. Num Mundo voltado à linguagem capitalista, é difícil deixar que algo mostre vida própria. Necessitamos de um novo contágio. Sabemos que áreas como educação, ciência, tecnologia, tornaram-se cruciais. Mas como formular uma estratégia para que elas não fiquem à mercê de interesses de curto prazo do sistema financeiro. Como desenvolver uma visão para esses assuntos…

Necessitamos de uma conceituação do conhecimento capaz de conduzir o fluxo do conhecimento. Fazê-lo se impor diante de outras variáveis que permeiam a sociedade. Ir além de Marx, criticar os bancos, defender a cultura local. Contudo, para essas questões e outras emergirem apropriadamente necessita-se de desenvolver uma bandeira do conhecimento. Abrir uma compreensão a respeito das implicações da subcultura, da dialética do conhecimento, da consciência via conhecimento. As suas intenções estão na magia de se versar o chamado natural em possibilidades oriundas da imaginação.

Muito antes de ser capitalista, a História é constituída por corações e mentes. Portanto, se o conhecimento quiser ser um argumento gerador de História deverá encontrar um caminho que o leve além do Iluminismo. Sozinha, a retórica da racionalidade não penetra nos corações dos homens. Necessitamos de uma outra configuração para o conhecimento. Fazê-lo ir além da razão e chegar ao mercado, à sociedade e à consciência.

A pergunta original não está em o que é o Universo? ou o que é a vida?, a pergunta do Hoje do momento histórico é:

– O que é o conhecimento?

A primeira dificuldade estará em esclarecer o que seria uma conceituação de conhecimento. Esse é o desafio para o historiador: considerar uma percepção de ideologia do conhecimento capaz de conduzir a História neste século 21. Encontrar uma condução que naturalmente anteceda a do capital.

Tudo se abre a partir de uma pergunta. Então, para sua resposta: deveremos ir explorar suas origens, fenomenologia e possibilidades futuras. As origens do conhecimento se iniciam em Adão e Prometeu, sua fenomenologia está em provocar a ciência, economia, sociedade e religião. São os quatro aros da roda do conhecimento. A partir de seu giro e sustentação que a Humanidade chega a algum futuro. Quanto as suas possibilidades futuras, são indescritíveis.

Existe uma roda do conhecimento a ser instalada. Falta-nos compreender cada um desses aros. Da expulsão do paraíso e Prometeu, o conhecimento chegou ao Iluminismo e agora à tecnologia. Chegamos a uma época em que a tecnologia consegue derrubar fronteiras e melhorar a vida do ser humano. Entretanto, o nosso contato com o conhecimento possui premissas ainda maiores do que o fato de o avanço tecnológico ser um grande aliado do ser humano. A novidade está em se compreender que alcançamos um tempo em que: o conhecimento se manifesta através de múltiplas razões (ultrapassamos o período da razão única), no lugar da dialética capital-trabalho chegamos a uma economia movida pela dialética capital-conhecimento, aportamos a formulação de uma sociedade do conhecimento cujas oportunidades sociais são estabelecidas pela ascensão via conhecimento. Ao mesmo tempo religiões apoiada simplesmente uma leitura literal dos Livros Sagrados não mais nos preenchem. As descobertas científicas estão levando a se escavar um caminho religioso complementar onde a missão está em desvendar o cosmos segundo uma teologia científica.

A época nos desafia a revelação do conhecimento. A compreender os seus poderes mágicos. Algo mais profundo do que promover o avanço tecnológico. O conhecimento deve chegar para tocar a alma. Ser uma das suas substâncias. Esse é o sentido a ser primordialmente entendido. Aflorar o conhecimento como um combustível de alma. Um árduo caminho foi percorrido para chegarmos aos quatro aros de montagem da roda do conhecimento, mas agora, nesta Era do Conhecimento desejamos penetrar no conhecimento como um agente da consciência humana. A novidade dos tempos modernos é que estaremos experimentando em nós mesmos a magia do conhecimento.

O homem é um animal de corpo e mente. Acontece que nosso corpo não é nosso, talvez a única coisa que realmente tenhamos é a nossa consciência. É importante que as pessoas saibam que somos uma colônia ambulante de bactérias. Elas constituem uma ecossistema muito complexo em nosso corpo. Por exemplo, um estudo realizado pelo BGI – Shenzen instituto na China, um dos maiores centros de pesquisas genéticas do mundo, mostrou-se que de todos os genes presentes no intestino humano, 99% são bacterianos, indicando que esse órgão pode conter entre 1000 a 1150 espécies bacterianas.

– Somos bactérias ou consciência?

O Universo não é feito só de átomos, mas também de imaginação. Além de galáxias, há um segredo. Existe um convite para o homem entrar no Universo e deixar sua assinatura que é o de fazer as águas rolarem segundo sua imaginação. A História caminha para o seu momento da consciência. Existe um encontro de alma entre a imaginação humana e as forças da Natureza que o terceiro milênio deverá fazer.

Deste modo, a procura de uma ideologia do conhecimento deve começar por justamente em elevar o conhecimento a um elemento de alma. O conhecimento chega para ser uma substancia da alma. Assim como o amor, a sua energia é para nos abrir de dentro para fora. Despertar consciência. Precisamos chegar a esse estágio. O Universo e a vida nos oferecem um segredo: a oportunidade de desvendar esse desfile mágico de acontecimentos.

O historiador compreende que transpor o conhecimento da razão iluminista, das vantagens tecnológicas para um condutor de almas é um grande desafio. Contudo, se quisermos penetrar nesta época da consciência, nada resta além de enfrentá-lo. Precisamos chegar a uma concepção de conhecimento onde ele atue como móvel de nosso espírito. A partir de sua consciência gerada, fazer com que nossos braços e pernas se movam.

O conhecimento está tomando conta da civilização. Após uma dura caminhada, o seu poder de imaginação chegou. Ela resolveu desvendar esse mistério e arriscar-se a procura do desconhecido. Revelar a identidade das coisas. Estamos em tempos de decifrar sobre essa Era do Conhecimento. Mas, além de fazer perguntas e respostas e produzir tecnologias, desejamos também saber que sentido de alma o conhecimento incorpora.

Muito mais do que se utilizar de tecnologias, cada homem deseja ampliar o seu universo de consciência. E, para isto, o seu caminho está em se energizar de conhecimento. Entretanto, tal condição ainda não aconteceu. A dificuldade do homem é a de que o conhecimento ainda não conseguiu se tornar um elemento de capaz de ser parceiro de alma do amor. Ainda vivemos sob uma visão utilitarista do conhecimento.

Os homens deste novo milênio estarão atrás de uma ideologia do conhecimento. Desejar compreender o significado maior dessa magia. O conhecimento é mais do que brincar com a imaginação. Mais do que pensar, é trafegar, percorrer essa íntima estrada que os homens guardam entre o coração e a mente. É uma época em que os homens vão querer ir além, a tentar descobrir um conhecimento que ultrapasse a razão e a tecnologia.

Uma ideologia do conhecimento tem de crescer numa época em que tudo acontece através do capital. Hoje os jovens não pensam em correntes de idéias ou política, só em ganhar dinheiro. Não existem mais movimentos incorformistas. É uma época em que as coisas para serem ditas não ficam claras. Tudo é comercial.

A nossa civilização chegou à maravilha tecnológica, falta agora ir explorar a noção de conhecimento. As religiões se fundaram no sentido de amor, a política no de capital, cabe ao novo milênio encontrar um sentido maior para o conhecimento. O de o entender a partir de uma ideologia capaz de fazê-lo se integrar ao tecido social. Está na hora de construirmos esse novo sonho.

– Qual o conceito? – pergunta-se.

Numa época em que tudo é descartável o fundamental está em se chegar a um conceito. Isto nos leva a perguntar sobre qual conceito deve estar por detrás dessa ideologia do conhecimento. Essa situação nos faz lembrar Tales de Mileto a expressar no século 6.a.C de que ‘Tudo é água’. Assim sugeria que as diversas propriedades da matéria seriam originadas de um único tipo de matéria que seria água. Então, em vez de procurar o conceito a conduzir uma ideologia do conhecimento, deveríamos primeiro discutir qual seria a sua substancia básica. Muito cedo ainda é para definirmos o conceito que centralizará a ideologia do conhecimento, mas é possível, identificar qual a substancia que organizará o seu preceito.

O segredo, a chave perdida, estará em encontrar o psi do conhecimento:

– O que é isto?

Esses tempos de vazio devem servir como ante-sala para o silêncio da criação. Dele devemos retirar o significado da palavra conhecimento. Em vez de considerar o conhecimento a partir da tecnociência capitalista que a civilização atual promove ir procurar sobre suas origens. Perceber como ele vai tomando forma a partir da geração de um certo espaço psicológico. Entender estar neste elemento a fundação da cultura. A partir dele é que tomam forma a razão, os sistemas ideológicos e as estruturas de poder.

Resta ao historiador ir mergulhar neste desconhecido. O de novamente tentar inventar o mundo sem capital. Encontrar na perspectiva de geração de espaço psicológico a ‘água de Tales’. Ver que tudo que existe no Mundo é feito de ‘água psi’.

Nesta situação, sente a necessidade de ir procurar a tal criança de 3 anos e, o humorista americano Grouch Marx, lhe responde:

‘Há coisas mais importantes do que o dinheiro, mas…. custam tanto!

Realmente talvez venha a custar muito se propor uma ideologia do conhecimento. O seu preço será a epopéia de atravessar o mar de inúmeras folhas de papel em branco e conseguir encontrar alguma coisa.

 

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Valor Conhecimento

Os homens não são passivos, fazem História. Lutam para falar. A luta humana é para se libertar dessa sua carne que presa entre os ossos o impede de observar o colosso das coisas. Os homens precisam encarnar um espírito que os leve a voar entre átomos e galáxias. Essa é a sua verdadeira História.

A História sempre segue repleta da interpretações. O seu caminho de atuação é vastíssimo e complexo. Marx foi o autor da mais famosa e discutida interpretação materialista, que embora não desprezasse os fatores ideais, sustentava como dominante o fator econômico que deflagraria as lutas de classes. O seu pensamento está resumindo na frase célebre: ‘não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina a consciência’. O historiador havia se deparado com um outro fator predominante. A preponderância da economia virtual-real. Acredita que estamos diante de um novo curso das coisas.

O historiador não está à procura do mistério de Deus ou da equação do Universo. A História carrega um tipo de luz própria em relações às coisas religiosas e naturais: antes de se aproximar do sagrado, do último constituinte da matéria, a História nos diz que devemos ir entender sobre o valor das coisas. É o direito que dá aos mortais que por seu percurso andam. Quando as bandeiras não mais tremularem, os impérios sucumbirem, à única coisa que nos resta a lembrar é o valor das coisas.

Neste mundo de coisas efêmeras, a procura de preservação de alguma essência nos leva ao conceito de valor. Embora sabendo de sua posição de meros coadjuvantes, os homens desejam ser protagonistas de algo. Determinar algum futuro. E para isto, necessitam se defrontar com o sentido das coisas. Mal ou bem, de um modo ou outro, todo esse conjunto de coisas do Universo e da Sociedade, deve estar indo para algum lugar. Caso contrário, o que é isto?

O futuro é determinado por nossas escolhas. Talvez esteja aí a origem da noção de valor. Estipular algo que dê algum futuro. Esse deve ser o teste para identificarmos a que serve um determinado valor. No caso, para que não aconteça um futuro com valor econômico baseado no predomínio da virtualidade e de uma circulação de riqueza amoral e acumulativa.

Existe uma outra chamada a ser atendida. O processo econômico possui raízes bem mais profundas do que a caixa registradora de supermercado. Ele guarda a lembrança do maior sentimento que em nossa vida transitória devemos ter: o valor das coisas. De que adiantará enchermos os nossos bolsos se tivermos perdido o sentido para onde as coisas caminham…

A Economia não pode se iludir. Viver o maya (ilusão) da riqueza. Ela necessita de encontrar sua própria teleologia. Valor é o nosso modo de imaginar o futuro. Normalmente é primeiramente associado à economia porque justamente a idéia de progresso econômico é que nos leva a possibilidade de um futuro auspicioso. Os homens não ganharam direito à eternidade, mas podem, ao menos, projetar um futuro. Serem participantes da lógica do processo de desenvolvimento, seja o do Universo, da vida ou do econômico.

– Para onde vamos?

O INET de George Soros deseja encontrar uma nova visão para os investidores de futuro. A nossa época falta encontrar uma nova conceituação de valor. Nem o capitalismo acabou (ou vai acabar) nem floresceu um conceito de valor voltado à realidade mais íntima do homem. Entre o valor e o preço, necessitamos encontrar um caminho de desenvolvimento, de geração de empregos e de formação de riquezas. Mas, ainda faltam controvérsias.

Dos males que afligem este Mundo, cumpre descer as raízes, urge buscar as origens. Então, não foi muito difícil ao historiador compreender que as origens da formação da riqueza estariam na alquimia de transformar numa folha de papel em branco em crédito. Faltava agora ir entender sobre a construção dessa riqueza, o seu crescimento econômico. É quando se depara com a verdadeira face da Economia: os seus serviços não se voltam à evolução propriamente dita, mas para uma circulação de riqueza amoral, acumulativa e transgressora a qualquer alfândega entre o virtual e o real. A sua ‘seleção natural’ de circulação de riqueza é a que eleva o lucro acima de tudo, e assim, estabelece o preço.

– Que valor econômico está traduzido no preço? – fica a pergunta.

Ao historiador o ponto de partida está em que o desenvolvimento econômico não segue as prescrições da evolução natural. O que o mundo científico afere é que os processos naturais não seguem os mesmos princípios de dinâmica dos ativos econômicos. Nenhuma estrela ou animal tem o seu crescimento nos conformes do econômico. Possuem cartilha diferente. Entende que políticas econômicas têm a ver com valores sob o condomínio da mente humana.

Estamos em falta com uma nova proposta que entusiasme as pessoas. Necessitamos reabilitar a força da opinião pública. A conquista dos valores democráticos foi à última conquista destes tempos modernos. O de submeter o poder à lei do voto. A globalização chega, mas, estamos sem um clima político global. O comunismo se foi, a guerra fria acabou, as nações foram atiradas numa crise econômica causada pela ambição e imprudência da Wall Street, e agora, voltamos a sentir falta de um reolhar as questões da diversidade e do desenvolvimento que permeiam qualquer sociedade.

A crise econômica mundial deveria ser uma oportunidade para a esquerda mas ela não foi suficiente inventiva, perturbadora. Não saiu do vazio de nosso tempo. Quanto à direita, a regulamentação do sistema econômico é um assunto complexo e logo ela voltará a se beneficiar plenamente do jogo financeiro. E assim ficamos, num déficit de idéias. Discute-se muitas coisas, mas não chegamos aos fundamentos. Debate-se sobre o papel do estado, a garantia da justiça social, a impedir que a economia real seja suplantada pela financeira, a questão da consciência ecológica. Mas ao final, o lucro continua sendo à base de tudo. Somos uma civilização que não consegue sair do sentido maior do valor econômico.

O historiador percebe que por mais que se tentasse uma lei de regulamentação entre o virtual e o real, como a lei de Dodd-Frank nos EUA, nada nas suas 2 319 páginas irá mudar o comportamento da Wall Street. As raízes da Virtualândia são muito profundas. Leis não conseguem evitar uma deterioração, caso contrário, a lei seca de 1930 nunca seria revogada.

Percebe o desafio. A sua postura diz a respeito da dinâmica cultural. Não existe déficit de idéias. Existe falta de olhar. Em vez de se procurar unicamente com a dinâmica capitalista voltar-se o que o princípio de qualquer desenvolvimento econômico, social esteja baseado na questão cultural.

– Como levantar essa bandeira?

Não vê possíveis mudanças no sistema financeiro. Entende que a crise está no coração do sistema financeiro e não vai ser resolvida rapidamente. Qualquer solução vai exigir grandes mudanças no mercado financeiro para recuperar a confiança de clientes e investidores e recuperar a oferta de crédito que havia antes. A solução está em contrapor o valor financeiro por um outro valor. O fundamental está em fazer a roda da economia encontrar uma nova engrenagem para girar.

A providência da História está com a dinâmica. É o momento de a dinâmica cultural ganhar a sua voz, os muros caem para alguma coisa renascer, iguais aos incêndios na floresta, haver terreno limpo para a passagem de uma nova dinâmica, novos nichos. Falta saber como esse rio cultural irá encontrar as suas margens. Ou como os homens serão capazes de construir uma nova História separando o rio de suas margens.

Após a conquista da democracia falta a nossa época ir estabelecer a cultura como o elemento indissociável do desenvolvimento. Entretanto, articular essa mudança de qualidade traz um salto que ainda não estamos preparados. Atualmente é mais atualmente se discutir o sistema bancário do que a diretiva cultural.

Considera que o próximo passo da História está em instalar o valor conhecimento. Compreende que o valor conhecimento não está num jogo de papéis (embora tenha que passar por ele), mas nas construções da realidade. Sair da imaginação e chegar ao real é cunhar a moeda conhecimento.

Essa meditação preenche sua cabeça. Compreende que estamos diante da presença de um novo capitalismo. O de estabelecer no preço o valor conhecimento. Contudo, ainda não há polêmica em torno do tema. Valores monetários e trabalhistas predominam.

– Porque não há preocupação com o valor conhecimento? – pergunta-se.

O historiador havia percebido a crise do valor econômico. Entendia que aquele mundo da época protestante tanto prestigiado pelos economistas originais servia apenas como imagem de fundo. A crise financeira havia mostrado um caminho sem volta. Os valores supremos da Economia haviam perdido valor. Entretanto sentia que sua tarefa não está em ficar discutindo isoladamente sobre a depreciação do valor econômico. Essa seria uma questão para os economistas. A sua como historiador é a de perseguir valores supremos. Destarte, o que lhe incomodava era a negação desses valores devido à desvalorização do valor econômico. A sua tese não estava em discutir se a economia havia se tornado uma ficção ou não. A sua intenção era encontrar algo que antecedesse o valor econômico. Então, quando retorna a Adão e Prometeu, não tem duvidas quanto a localização do conhecimento. E em vez de escrever no papel de açougue, dá um grito:

– Antes das gráficas!

Esse é o momento que se abre a causa do conhecimento. O de colocar o conhecimento nos inícios. No lugar da contradição entre a burguesia e o proletariado trazer o embate do conhecimento. Descer as suas profundezas. Entender que o conhecimento vai além da visão iluminista que povoou os tempos de Marx e chega neste século 21 como um dos fundamentos da dinâmica social. O capitalismo não cairá apenas por suas crises, por mais profundas que sejam. Se nada de novo se apresentar na História, surgirá uma nova recuperação do capitalismo. A burguesia, longe de abrir mão do poder econômico, buscará novas formas de aumentar e explorações e, assim, escapar de mais essa crise; o proletariado perdeu as forças para enfrentar o sistema. Esse é o momento para a causa do conhecimento tomar posição.

A História realmente não se repete, mas cabe aos homens fazer sua transição de fase. Para isto, o fundamental é saber o que termina e o que inicia. Estamos em conclusão da Idade Contemporânea e início da Idade do Conhecimento. Um tempo ainda sem muros, apenas com horizonte a ser olhado. Os que desejarem a mudança de época preparem suas mochilas para fazer sua caminhada guiados pela estrela do conhecimento.

A derrubada do Muro de Berlim e do Muro do Capital evidenciam que uma era se esvaiu, levando poderes de alguns e sonhos de outros, contudo, restaurando caminhos a serem abertos pelos próximos. Esse é o novo momento. É costume dizer-se que a História não se repete, mas a questão é para onde ir. É sempre mais fácil se imaginar destinos através de muros e cárceres.

A queda dos muros marca o esgotamento de visões de Mundo. Da mesma forma que o liberalismo clássico dos séculos 18 e 19 foi politicamente enterrado por sua insensibilidade ao sofrimento humano e às desigualdades sociais, a ditadura protelaria e a economia financeira não podem servir de bandeira à conclusão da História. Sobrou que termos de ir muito além. É o momento de reflexão do historiador. Aprendemos que necessitamos do Estado e da liberdade individual. Como uni-los? A História não se repete, mas tem tendência a ficar parada. Não é fácil deixar velhos slogans e admitir um novo. Os muros caíram, mas um Outro Mundo é possível: os gritos de um ‘socialismo do século 21’ e de uma ‘estabilidade via economia financeira’ permanecem vivos.

O apocalipse do fim da História não aconteceu, apenas dois muros desabaram. Para alguns ficou a nostalgia do tempo em que a História existia, para outros o horizonte para a História recomeçar. O historiador compreende que no lugar de ficar em propostas a repensar a ordem econômica mundial o momento é o de buscar uma outra percepção. Entender a noção de valor mais profundamente. A sua suposição é a de que o próximo passo da civilização está em do valor econômico estabelecer o valor do conhecimento. Essa seria a sua procura. Parte do princípio de que ‘bolhas especulativas’ sempre existirão. Fazem parte do processo de virtualidade da natureza humana. Assim como a ficção na literatura elas devem ser encorajadas como maneira de estimular uma economia. Entretanto trazem apenas uma superfície cuja profundidade está no valor conhecimento.

Ao historiador cabe ir compreender a máquina do Mundo. Aceitar o seu desafio. E assim começa a analisar a crise econômica acontecida como um fenômeno inapelável de um misterioso magma que fica por debaixo do progresso. Ancoramos nossas vidas numa superfície de trocas capitalista que mantém a sociedade em atividade. Mas quando esse magma treme, semelhantemente as falhas geológicas, sentimos as limitações do sistema. Existe algo por baixo que não conseguimos controlar, contudo a vida deve seguir em frente, ou melhor, a História revelar as suas novas facetas. Compreende que a Era do Conhecimento surge desse magma, mas a equação de lucros e salários ainda é vista sob uma relação capital-trabalho do que sob capital-conhecimento. Uma nova erupção trazendo um novo território do conhecimento para se caminhar.

A fissura geológica aconteceu, os muros caíram, ficamos livres para enxergar a chegada da Era do Conhecimento. Ganharmos à noção da primordialidade do conhecimento. Não apenas com o seu poder de se entender os fenômenos que nos cercam, com o de se tornar um novo modo de produção, assim como, de servir como um novo elemento para diminuir as diferenças sociais. Além disto, encontrar na estrada do conhecimento o caminho da transcendência que a natureza humana tanto procura.

Neste cenário, chega à questão do conhecimento. Como nos vedas, trazer o conhecimento como plano diretor. Imagina que seja possível fazer a História começar de novo. As lógicas do capitalismo e do comunismo não serão capazes de puxar o carro da História neste novo milênio. Neste fim de História, o conhecimento se inicia. Desde o fogo muitas foram as façanhas do conhecimento, mas agora, o desafio estará em colocá-lo como agente da História.

A queda dos muros nos leva a ir procurar novos valores. Uma crise econômica representa o momento de recuperar valores. Houve um tempo das internacionais socialistas, outro em que o mercado era a solução para tudo. Sempre apoiado pelos economistas, todo mundo tinha soluções através do mercado, só o estado não podia nada. Entretanto, o historiador compreende que o Mundo não irá aprender com a atual crise do mercado. O óbvio não é simples de ser enfrentado: ninguém quer deixar de fazer lucros.

O historiador havia entendido que não chegava para consertar uma velha História, mas para construir uma nova História. A questão de crédito entre patrícios e plebeus lhe era secundária. Para ele, 2008 representa outra ruptura do que a de reintroduzir políticas keynesianas. O seu interesse estava em dar ao conhecimento uma luz econômica própria. Promover um FIAT LUX ao valor conhecimento. De produzir um crescimento a partir da capacidade do ser humano de gerar conhecimento.

De lógica em lógica (ou de crise em crise) havia chegado a um momento crucial o qual seria o de discutir-se o conhecimento deve ser colocado no andar de baixo ou de cima. Lembrou-se então, como muitas empresas se utilizem do jogo financeiro para pagar funcionários. Essa seria a perspectiva do sistema atual. Deixar que os patrícios alavanquem o crédito.

Conhecimento: o novo andar da Economia

Identifica que embora vivamos numa época de extraordinárias transformações tecnológicas o sentido de valor conhecimento ainda não veio à tona. Não faltam celulares e mil outras tecnologias digitais, mas a moeda conhecimento ainda não encontrou seu ferreiro para ser cunhada. Ainda falta a construção de uma ideologia do conhecimento capaz de integrar educação-ciência-inovação, por exemplo. A respaldar uma política de investimento onde não exista desenvolvimento sem conhecimento.

 

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Terceiro Personagem: O Conhecimentista

Em construção.

 

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Faltam causas políticas

A eleição está a mostrar uma política sem andar de cima. Não conseguimos discutir causas políticas. Existem dois temas cruciais ao desenvolvimento de uma sociedade que foram dominados pelas gritarias do andar de baixo. Ficou faltando revelar a presença do conhecimento e do capital.

Não faltam argumentos para se discutir esses dois temas do andar de cima, mas caímos e com muita facilidade, nas questões do andar de baixo. A primeira é a do moralismo ético. Para manifestá-lo usa-se as religiões e algum tema purista. Sendo assim, das religiões trouxeram a questão do aborto e o tema purista escolhido foi a ecologia. Assim, foram levantadas duas questões profundas e importantes a serem tratadas sob a égide da moralidade. Entretanto, dentro de um sistema capitalista de natureza aética. É possível? Tem solução?

O problema de ir resolver as coisas somente no andar de baixo é o de estar sempre a confundir o céu com a terra, ou melhor, de que se pode tratar as coisas de baixo sem as coisas de cima. De não querer entender que: enquanto o sistema capitalista é amoral, as religiões e os ideais se constroem sob a ética.

Outro tema de fazer política sem ir as causas é a do varejo político. Evidentemente que a ação política deve ser para resolver situações. Resolver a saúde, o saneamento, o transporte etc. Entretanto, a consideração está em que, sua ação de varejo depende de como lidar com o andar de cima (conhecimento e capital).

O fato é que as eleições e a opinião pública brasileira se negaram a discutir sobre os caminhos que o capital e o conhecimento tomam em sua sociedade. Preferiram o obscurantismo político (aborto e ecologia) e a política do varejo. O domínio do capital financeiro e o despropósito de uma independência científico-tencológica não lhe parecerem importantes. Venceu o andar de baixo.

A causa de baixo venceu: ninguém fala sobre o modelo econômico financeiro que regula o país. Não se discute a supremacia do valor do capital sobre o trabalho e do conhecimento. Política de varejo é mais importante do que a financeira? Então, observe que o governo Lula pagou em sete anos de governo mais de R$ 1 trilhão em juros (um valor superior a divida interna deixa por FHC). Esse ano de 2010, 35% do orçamento da União já está destinado ao pagamento de juros. É o país do burro encilhado. Nunca perguntamos se parte desse dinheiro não deveria ser revertido em saúde? Ou, até quando iremos pagando?

O Brasil não pode ser o país do burro encilhado. A sua grandeza não é para seguir indefinidamente levando uma carga de juros e uma orelheira de serviços e revendas. Precisamos nos libertar desses 500 anos de submissão.

A democracia não deve ser feita para as vozes do andar de cima se calarem. Ingenuidade eleitoreira está em acreditar que a maioria alienada dita os rumos da sociedade. O crescimento de uma nação requer trabalho, conhecimento e investimento produtivo. Essas devem ser suas causas políticas. Não podemos aceitar o seu aborto.

Esperamos que Dilma não vença com a cabeça no andar de baixo.

 

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Rio da Economia

O resgate do mercado financeiro foi a Teoria da Relatividade da Economia (ou melhor, a experiência de Michelson – Morley). Para salvar a crise financeira os governos despejaram um volume nunca visto de dinheiro. Afogaram à crise num mar de liquidez. Fizeram a ‘gráfica’ rodar. O FED resolveu esverdear milhares de folhas e distribuir para todos: bancos de investimento, hedge funds, fundos mútuos, bancos estrangeiros, empresas industriais, seguradoras.

A importância da Teoria da Relatividade está em que retirou o tempo do patamar de uma entidade absoluta e o tornou relativo. A passagem do tempo iria depender do sistema de referência em que o observador estaria situado. A ‘gráfica’ também mostrou como o dinheiro é relativo. Enquanto a ética protestante estimulou um capital associado ao suor do trabalho, de que o trabalho é a fonte da dignidade e da riqueza, a nova estruturação econômica mostrava que a importância não estava no dinheiro, mas na circulação da riqueza. O relevante estava com que o fluxo da economia não parasse, o dinheiro seria apenas uma parte desse processo. Definitivamente aquele seu valor absoluto perdia contexto. Basta à autorização do governo para se dar valor a uma folha de papel em branco.

Semelhantemente a perda de referência para a noção de valor (tipo padrão-ouro) introduziu o relativismo do capital. Em termos de riqueza, o seu jogo de papéis, inflação, moedas podres mostram que – similarmente a invariância da luz – haveria um jogo a determinar o valor econômico. A lógica da riqueza não seria simplesmente a do dinheiro em caixa. Igualmente a Física, haveriam coisas absolutas e relativas.

As origens da Economia ficaram descobertas. No século 19 houve um grande desafio aos exploradores para descobrir as fontes do rio Nilo. Ao historiador, não lhe parecia acontecer essa dificuldade sobre as nascentes. A crise de 2008 havia aberto o panorama. Qualquer um poderia divisar que no alto da montanha onde nasce o rio da economia acontece um fenômeno chamado de a ‘gráfica do estado’. Uma lei da economia é que não se pode gastar mais do que se ganha. Essa enorme quantidade de emissão mostrou que não é bem assim. Existe uma outra lógica da riqueza se estabelecer.

A fonte original havia sido encontrada. A Economia havia encontrado o seu ponto mais alto. A sua magia está que no cume da cordilheira se esconde uma gráfica. O local de onde se começa a transformar uma folha de papel em branco em valor. Acessíveis apenas aos governos essas gráficas ficam encobertas e só aparecem quando o calor de uma crise as derrete. Os trilhões de dólares emitidos e distribuídos na crise de 2008 mostram como circula a riqueza em nossos dias. É como se a primavera chegasse (crise) fazendo com que as geleiras do Himalaia (gráficas) se liquefizessem num rio da riqueza a descer pelos vales para irrigá-los de produtos e empregos. É quando para solucionar a crise grega de 2010, os países da União Européia, assim como fez o governo americano em 2008, resolvem dar uma ajuda de 750 bilhões de euros.

Na ‘gráfica’ fica origem da Economia. O ponto de partida para o investimento. Chega para matar a sede de uma nação. Em 2010, o governo Obama anunciou que os EUA estava com quase 15 milhões de desempregado e liberou 250 bilhões de dólares. Colocou essa quantia no mercado voltada à geração de empregos e infraestrutura. A mostrar se mistificação dizer que o dinheiro gerado na gráfica provoca inflação. Dependerá da política econômica no país.

O historiador havia chegado sobre a existência de uma economia real-virtual e do relativismo do capital. Algo que retirava a Economia de uma visão de secos e molhados e introduzia a perspectiva de dar valor aos papéis, de não respeitar o valor do trabalho.

A ‘gráfica’ mostra como o dinheiro é relativo. Enquanto os físicos dizem que a medição dos fenômenos da Natureza estará a depender do observador, os economistas mostram que o dinheiro aparecerá segundo a vontade política de rodar a gráfica de um país. O fundamental está no propósito de investimento. As origens da Economia está em investir ou investir.

Na Economia a multiplicação dos pães não vem do trabalho mas da gráfica do governo. Por isto, uma nação deve ter sua política econômica, isto é, saber utilizar o seu direto de esverdear folhas de papel de A4. Torná-las um investimento limpo, baseado em condições de servir à coletividade. Não deixar que a política econômica de um BC se aproprie da gráfica para pagar dívidas (juros) a banqueiros, seguradores e outros credores.

Diversamente a ética protestante, a estruturação econômica liberal introduz o relativismo do capital. Esse era o desafio a ser entendido. Enquanto a Natureza aceita a relatividade de suas grandezas físicas sem violar o trabalho (conservação de energia), o perigo estaria em introduzir uma geração de riqueza ao sabor das oportunidades financeiras e de uma literatura econômica virtual. Deixar o virtual superar o real.

Após compreender a existência de gráficas a sua preocupação volta-se a condução do rio da economia. Após haver discutido sobre as origens e a relatividade do capital o seu interesse se volta como a dinâmica econômica se processa. Enquanto Adam Smith e Marx partiam da noção de trabalho, considera a noção de virtual. A sua percepção retorna à existência de uma economia real e outra virtual. Haveria uma economia virtual e outra real para serem encaixadas. Esse seria o seu ponto de vista. Observa que, apesar de crédito e consumidores serem fundamentais a construção da riqueza, tudo começa na economia virtual.

A sua reflexão está em que, o capitalismo vai muito além do que acumulação da riqueza ou manter o cambio flutuante, gestão rigorosa na taxa de juros, metas de inflação e de superávit fiscal – existe uma delicada relação entre não-trabalho e trabalho, entre gráfica e consumo, que deve ser arquitetada. Estamos num tempo em que sem o virtual não se gera o real. A História mudou, não seria mais o trabalho a gerar dinheiro, mas ‘gráficas de não-trabalho’ a gerar trabalho. Assim, deixa os séculos 19 e 20 para trás. No lugar dos ‘trabalhadores do mundo’, reflete: ‘virtualistas do Mundo’. Existe algo diferente acontecendo. Ainda lhe caberia uma nota: ‘não querer se preocupar com o mundo virtual – poderá destruir o mundo real da produção e emprego’.

A sua percepção volta-se a que no natural jogo econômico, a evolução dos preços depende tanto do não-trabalho quanto do trabalho. Relembra as mascaras do teatro grego. Considera que, em vez de encobrir a verdade, as máscaras a ressaltam. Só as máscaras (ficção) chegam a roçar o rosto da verdade (significado, valor). Inocentemente, o puro trabalho nos cega: nos faz acreditar que através dele vemos alguma coisa de verdade. Ilude, porque a verdade nunca se deixa ver.

Existe algo que vai além do código genético, a imaginação. Vemos o Mundo através de nossos olhos, escutamos com nossos ouvidos, mas o sentimos através de nossa imaginação. São os imaginários que nos conduzem ao que somos e aonde estamos. São as janelas pelas quais recebemos o Mundo. São eles que nos dão ‘um certo olhar’, que em vez de comandar as nossa células, conduz a nossa cabeça.

Desta maneira considera que não poderá haver Economia sem imaginários, e assim, são eles que naturalmente estimulam essa economia de papéis. Se pergunta se toda a riqueza perdida pela crise realmente exista. As estimativas variam entre 30 a 50 trilhões de dólares. A partir de junho 2007, em apenas um ano e meio, os EUA perderam cerca de um quarto de seus haveres financeiros e valores imobiliários. A prova de uma realidade conectada com a virtualidade, em Economia, é a de ser real quando os papéis em circulação podem ser trocados por uma moeda corrente.

Entendia que não lhe cabia ter a palavra final, se seria uma questão para estimular investimentos ou jogos financeiros. A sua consideração estava em somente apontar a existência de uma economia virtual sem a qual a real não se manifesta. Considerar que, muito antes do trabalho é a economia virtual que propulsiona a indústria e o comércio.

As doses inéditas de injeção da liquidez pelo Fed vieram a confirmar sua tese de que existe uma economia virtual que antecede a real. Desta vez, o Everest parece ficar nos EUA. A origem da maioria dos papéis exóticos criados em Wall Street e vendidos principalmente a chineses vem do enorme déficit dos EUA. Para fechar suas contas, argumenta-se que o país é obrigado a atrair 3 bilhões de dólares por dia de investidores estrangeiros. Sem esse fluxo de virtualidade, a realidade econômica americana se desconstrói.

Sendo assim, a recuperação da atividade econômica (produção e emprego) vem de uma ação virtual. Por exemplo, juros muito baixos. O baixo custo do dinheiro e a liquidez abundante derrubaram novamente a cotação do dólar no mercado das moedas, empurraram para cima o preço das commodities, fizeram disparar os preços das ações nas bolsas, estabilizaram a demanda de bens e serviços e deram início à recuperação da atividade econômica.

A ação do virtual sobre o real não seria mais um assunto de literatura. Entretanto, a dificuldade dessa relação virtual-real, não-trabalho – trabalho está em criar uma economia com andar de cima e outro de baixo. Embora se tenha tornado inegável, a presença de formas de expressão do valor nesta composição (muito difícil não aceitar) a questão estará em sua ação. Não deixar que o andar de cima predomine. De que patrícios improdutivos se apoderem da riqueza produzida.

Não sendo uma ciência natural a Economia depende das verdades contidas na mente humana. Ela precisa existir entre os territórios virtual e real. A função da mente humana está em nos levar além do natural. Para isto, nos energiza com expectativas, gera processos e transforma a realidade. Neste espírito a Economia toma seu caminho. O rumo é o de manter os estímulos em curso. Deixar que os inventos do capital financeiro se tornen impulsionadores do processo de expansão da riqueza.

Essa é uma questão que chama a razão do historiador. Um assunto para ele refletir profundamente. Antes de precipitadas tomadas de posição, cabe a ele refletir, sobre os possíveis caminhos da História a partir desse novo jogo de andares para o valor econômico. Não pode mais negar os lados real e virtual das coisas. Mas a questão está em como percorrer esse caminho. Não deixar que aconteça a desconexão entre os ativos financeiros e os ativos reais (os bens e a base produtiva).

De três andares esse rio traz vida ao dinheiro. De seu nascedouro em campos virtuais vem tomando forma até chegar a sua realidade de troca de mercadorias no andar de baixo. Contrariamente do lugar comum, não se inicia pelo bolso, nasce de uma folha de papel em branco que é obrigada a se escoar através das necessidades que a mente humana lhe obriga. A folha de papel A4 é colocada no mercado virtual para ver se depois consegue se tornar um ativo no mercado real. Ganhar poder de compra. Até ganhar vida própria pelo poder de troca que estabelece. Sem nada adquirir continuará em branco: o valor do dinheiro está em sua capacidade de compra.

O objetivo deste rio da Economia é o de trazer vida econômica. Fazer com que um simples papel A4 se transforme em poder aquisitivo. De uma folha de papel em branco se dar vida ao PIB de um país. Por exemplo, o banco Goldmam Sachs prevê que a China deverá em 2027 passar o PIB dos EUA. Um processo a depender menos do rio Yang-Tsé e mais do rio econômico que a China for capaz de prover. A partir de papel A4 promover bens de consumo e capital, aumentar o mercado interno e exportações. Irrigar um mercado.

Esse é o rio a transportar a palavra econômica. Transportar a palavra econômica entre o céu e a terra que permeiam a mente humana. Dada uma inicial folha de papel em branco fazer com que suas águas cheguem aos consumidores na forma de um produto (nem sempre de natureza real). Da virtualidade se construir um poder de compra efetivo, o qual poderá ser trocado por moeda corrente.

A Economia não se move apenas com dinheiro vivo. Essa é a ilusão da dona de casa. Acreditar que o poder de troca da Economia é simplesmente baseado com o que temos no cofrinho. Não compreender o jogo de expectativas que faz a economia fluir.

O dito mercado é a passagem desse rio da economia. Um construir o fluir da riqueza a partir de gráficas e territórios virtual e real. Esse é o rio que chega para matar nossa sede para empregos e consumo. Embora não seja sagrado como o Ganges, salva vidas. Todos (não apenas a dona de casa) querem se banhar neste rio.

Essa compreensão da dinâmica econômica o levava a rever certos conceitos a respeito do fluxo da riqueza. Normalmente os economistas caracterizam diversos fatores a construir o fluxo da economia: excesso de consumo, superprodução, perda de eficiência no setor produtivo, gargalos físicos na infra-estrutura, decisões equivocadas. Consideram que existe toda uma ‘climatologia econômica’. Contrariamente, acreditava ter chegado a uma síntese. Em vez dessa usual climatologia macroeconômica iria propor uma dinâmica econômica virtual-real a partir da qual o dinheiro encontra o seu poder aquisitivo.

E resolve rabiscar:

O fluxo da economia está em transformar uma folha de papel em branco em poder de troca.

O historiador ficava pensativo. Encontrara neste desenho simples, sem qualquer pretensão estatística ou ideológica, passível de ser desenhado em qualquer papel de açougue, a sua primeira fotografia do sistema. Deixa para trás aqueles articulistas neoliberais que o sistema alimenta e aqueles marxistas encapsulados e olha para um percurso econômico que sai do virtual para o real. Mostra que a Economia não começa pela base. Como os Livros Sagrados e os rios, ela vem do alto. Esse panorama ficou visível quando a catedral do neoliberalismo ruiu, teve de chamar o poder público para intervir e fazer com que recursos públicos fossem utilizados para atender necessidades privadas. A derrocada histórica dos mercados acionários iria obrigar com que os governos fizessem o resgate do sistema financeiro. Deixou claro que no alto da montanha o governo guarda uma máquina que transformava folha de papel em branco em valor.

Localiza um primeiro território onde se desenvolveu o capitalismo. Entende que o pulsar do capitalismo não está no trabalho, mas na economia do governo e nos papéis dos bancos e das bolsas. Sem esse lado virtual, a economia não funciona. Então, observa o escoamento do rio da Economia: o fluxo econômico virtual-real conduz dois tipos de dinheiro: nascente e vivo. O dinheiro nascente é o formado pelos papéis econômicos. O dinheiro vivo o que chega aos bolsos através de salários, ao mercado em sua capacidade de compra-venda, e consegue ser armazenado em poupanças. Assim como a matéria faz sua passagem do inorgânico para o orgânico, a riqueza faz do virtual para o real.

Aos poucos o historiador ia decifrando o ‘rio da riqueza’. Entendia que numa época capitalista era fundamental se compreender esse percurso. A dona de casa quer sempre saber como a economia vai, mas não se pergunta de onde vem, nem como o dinheiro se transforma em real. Também nem os economistas se preocupam em os explicar como a partir de um rio econômico consegue-se dar valor a uma folha de papel em branco.

Considera que a passagem do virtual para o real deve ser vista como uma evolução da economia. Convencer sobre a existência de uma operação interessante e que vai gerar bons ganhos é uma performance do capitalismo comparável a da literatura. A sua função é a de capitalizar ações que ajudem o crescimento de empresas e empregos. Hoje para a realização de um determinado projeto uma companhia deve sair a campo em busca de sua capitalização.

Entende-se que a Economia necessita de seu lado real e financeiro assim como a literatura necessita de realidade e ficção. A partir de gráficas, bolsas e bancos constituem todo um lado virtual da riqueza. Embaixo na planície necessitará de irrigar empregos e consumos. Neste ímpeto, de fazer com que suas águas fluam, a Economia se une ao capital. Associa-se ao chamado espírito capitalista. Contudo, não são a mesma coisa. Enquanto a essência do capitalismo é funcionar como um sistema de trocas amoral voltado ao lucro, cabe a Economia fazer escoar um rio da riqueza. São duas coisas diferentes, mas que devem seguir no mesmo curso. O capitalismo trazendo a preocupação do lucro, a economia a da circulação da riqueza.

A função deste rio é a de dar vida a economia: gerar o PIB de um país. O PIB de um país representa a sua manifestação de vida econômica, enquanto isso as ditas moedas podres são aquele dinheiro virtual que não consegue ganhar poder de troca. Um dinheiro nascente que morreu no caminho. Da folha inicial resulta em dinheiro com poder de compra e outro que se torna um ‘papel tóxico’.

Nesta sistematização, no seu andar de cima, a Economia promove virtualmente créditos através de gráficas, bancos e bolsas. A partir desse rio econômico ela atinge planícies e vales indo fertilizá-los com empresas (públicas e privadas), empregos, produtos e consumo. É quando a economia virtual toma forma. Cria-se o trabalho. Um novo movimento acontece. Milhares de pessoas acordam, trabalham e voltam para cama. Ao final geram produtos devem ser sempre renovados, o consumo uma obrigação e a poupança uma necessidade de segurança. Contudo, os consumidores são os grandes propulsores deste rio econômico. Nos EUA as despesas das famílias respondem a 70% do PIB americano.

Entre o virtual e o real não apenas corre as letras da literatura como os valores da economia. Propõe-se papéis a subscrever dinheiro futuro e em vez da tinta de caneta escoa-se um rio. A dinâmica virtual-real da economia está em transformar esse dinheiro futuro em cash. Da abstração chegar a troca. Inserir um universal poder de compra.

Outro aspecto dessa dinâmica evolutiva é o de se apoderar do custo do dinheiro. A grande velha novidade está no uso o céu aberto de um novo elemento de virtualidade explicitado pela crise financeira: a gráfica do governo. Antecede bolsas e bancos na prática da economia virtual. A mostrar que a questão de dinheiro fácil e barato é mais política do que econômica. Aí é que entram os bancos associados às gráficas do governo. Criam juros e de cara se beneficiam dos lucros financeiros. Sempre com a estratégia de que faz isto no objetivo de oferecer crédito a sociedade. No refrão de que, como a construção da vida precisa de água, a da riqueza de crédito.

 

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Magia do Conhecimento

Em construção

 

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